Os preços globais dos alimentos recuaram pelo segundo mês consecutivo em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (3) pela FAO. O Índice de Preços dos Alimentos da organização caiu de 130,8 pontos em maio para 130,3 pontos no mês passado.
Açúcar (-5,7%), cereais (-3,5%) e laticínios (-1,5%) puxaram a baixa. Óleos vegetais (+3,8%) e carnes (+0,4%) subiram, mas não foram suficientes para reverter o saldo. O indicador ficou 1,7% acima do registrado em junho de 2025.
O que é o Índice de Preços dos Alimentos da FAO
O indicador acompanha as variações mensais de uma cesta de commodities agrícolas — cereais, carnes, laticínios, óleos vegetais e açúcar — negociadas no mercado internacional. Governos, investidores e empresas o utilizam como referência para monitorar a pressão de custos no comércio global de alimentos.
Cereais e açúcar lideram o recuo
O índice de cereais caiu 3,5% em relação a maio. O trigo foi pressionado pelo avanço da colheita e pela perspectiva de ampla oferta na região do Mar Negro, principal polo exportador global de grãos. O milho acompanhou a baixa, influenciado pelas boas expectativas de safra na América do Sul e pela queda nos preços do petróleo.
O açúcar registrou a maior retração entre os grupos: 5,7%. Com o etanol desvalorizado no Brasil, as usinas passaram a destinar mais cana à produção de açúcar, ampliando a oferta global da commodity. Os laticínios recuaram 1,5%, pressionados pelo aumento da oferta mundial.
Arroz, carnes e óleos na contramão
O arroz foi exceção entre os cereais e subiu 3,2%, impulsionado pela maior demanda asiática pelo tipo indica, variedade predominante no continente. O índice de carnes avançou 0,4% e renovou o recorde histórico, sustentado pela forte demanda global de carne de aves.
Os óleos vegetais registraram alta de 3,8%, puxados pelo óleo de palma e pela colza, em parte pela demanda crescente por biodiesel. O movimento contrasta com o recuo nas tensões geopolíticas: o acordo EUA-Irã abriu caminho para a acomodação do mercado após o pico de abril, quando o conflito havia levado o índice ao maior nível em três anos.
Distância do recorde e riscos à frente
O índice de junho ainda está 18,7% abaixo do recorde alcançado em março de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma crise nos mercados agrícolas globais. O movimento atual é de acomodação gradual, não de reversão estrutural.
O risco do El Niño permanece como fator de incerteza: possíveis impactos sobre as safras da Índia e da Tailândia limitaram a queda do açúcar em junho e podem voltar a pressionar os preços nos próximos meses, especialmente no segmento de adoçantes e grãos tropicais.
O que muda para o consumidor brasileiro
A queda no índice global não se traduz automaticamente em alívio nas gôndolas. O IPCA-15 de junho apontou que alimentos seguem como principal vetor da inflação doméstica, com alta de 0,74% no grupo — reflexo de dinâmicas locais como câmbio, logística e custos de energia que nem sempre acompanham o ritmo do mercado internacional.
