O Brasil deve voltar à lista de fornecedores de mel e carne de aves da União Europeia em breve, segundo o Ministério da Agricultura. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (4), dois dias depois de o bloco europeu suspender as importações de produtos de origem animal do país.
A União Europeia concluiu auditorias sanitárias nas duas cadeias produtivas e classificou os controles brasileiros como satisfatórios. As vistorias começaram em 24 de agosto, a pedido das próprias autoridades europeias.
Avaliação separada por categoria abriu caminho para o avanço
As auditorias fazem parte de um processo que a União Europeia concordou em conduzir por categoria de produto, e não em bloco — estratégia que explica por que mel e aves avançam no processo de reinclusão antes da carne bovina. Segundo o setor, o ciclo de vida curto do frango, de cerca de 45 dias, favorece uma retomada mais rápida das exportações, enquanto a carne bovina pode levar até dois anos para voltar ao bloco europeu.
O ministro André de Paula afirmou que ainda é preciso “esperar o processo burocrático”, mas disse esperar um retorno rápido do Brasil à lista de fornecedores. As vistorias, iniciadas a pedido da própria UE, incluíram visitas a estabelecimentos produtivos e a órgãos oficiais para checar o sistema brasileiro de defesa agropecuária.
Origem do embargo está no controle de antimicrobianos
A exclusão do Brasil não foi motivada por irregularidades encontradas na carne, mas pela avaliação da UE de que o controle brasileiro sobre o uso de antimicrobianos na pecuária é insuficiente. O bloco proíbe o uso dessas substâncias para estimular o crescimento animal e veta também o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos.
O embargo entrou em vigor nesta quinta-feira (3) e impede o Brasil de exportar carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para as 27 nações da União Europeia. A decisão, anunciada em maio, pode ser revertida conforme avancem as negociações — na época, três ministérios do governo brasileiro prometeram reverter o veto antes de sua entrada em vigor, prazo que acabou não sendo cumprido.
Carne bovina e frango estão entre os produtos de origem animal mais exportados pelo Brasil à UE, embora representem parcela pequena do valor total exportado pelo país. Procurada, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse aguardar a oficialização da reabertura do mercado para comentar o caso, enquanto a Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel) não respondeu até a publicação desta reportagem.