Tecnologia

Senado aprova regime tributário para atrair data centers ao Brasil

Projeto zera impostos sobre importação de equipamentos e exportação de serviços do setor; segue à sanção de Lula
Lula e o Senado Federal no contexto da aprovação do regime tributário para data centers no Brasil

O Senado aprovou nesta terça-feira (1º) o projeto que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), isentando de imposto de importação os equipamentos usados na fabricação de data centers e zerando tributos sobre a exportação de serviços do setor.

A proposta, do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), substituiu medida provisória enviada pelo Executivo e agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O data center — “centro de dados”, em inglês — é a estrutura física que armazena e processa informações digitais. Há diferentes tipos: os de nuvem (cloud), que sustentam serviços online, e os voltados à inteligência artificial, usados para treinar modelos de linguagem complexos.

Como funciona o Redata

Para acessar os benefícios tributários, as empresas do setor precisarão aderir ao Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) e cumprir uma série de exigências definidas pelo governo federal.

O projeto aprovado pelo Senado converte em lei permanente a medida provisória que Lula assinou em setembro de 2025 para desonerar data centers — iniciativa que precisava de aval do Congresso em até 120 dias para não caducar.

Exigência de sustentabilidade

Um dos pilares do programa é ambiental: as empresas que aderirem ao Redata deverão publicar relatórios de sustentabilidade de suas instalações, incluindo o Índice de Eficiência Hídrica (WUE) e as fontes de energia elétrica usadas para atender à totalidade da demanda. O regime só permite fontes limpas ou renováveis para o fornecimento de energia aos data centers.

A aprovação também tem leitura geopolítica: o Redata não é só política tributária — o Planalto apresentou os incentivos a data centers como parte de uma estratégia deliberada para negociar com as gigantes do Vale do Silício e com o governo Trump.

O apetite por atrair esse tipo de investimento se explica pelo peso energético do setor: data centers são grandes consumidores de eletricidade por causa da refrigeração constante exigida pelos equipamentos, que esquentam ainda mais diante do alto volume de processamento de dados.

Com a aprovação no Senado, o texto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, último passo para que o Redata passe a valer oficialmente e o país amplie sua disputa por sediar novos data centers.

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