O governo federal registrou 133 compromissos ligados ao El Niño desde maio de 2026, quando o Centro de Previsão Climática da NOAA emitiu alerta para a formação do fenômeno, que deve se intensificar a partir de setembro no país.
O levantamento é da Agenda Transparente, plataforma do Fiquem Sabendo que monitora compromissos públicos de autoridades federais.
ANA e Casa Civil concentram registros desde 2023
Entre janeiro de 2023 e 20 de agosto de 2026, 46 órgãos federais aparecem em 151 registros de agendas públicas com menções ao El Niño. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico lidera, com 33 registros, seguida pela Casa Civil, com 27, e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com 24.
Entre as 187 autoridades listadas, nenhum ministro ou ministra está entre os dez nomes mais presentes nos compromissos. Quem mais aparece é o superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA, Joaquim Guedes Correa Gondim Filho — sinal de que a resposta ao fenômeno tem sido conduzida mais pelo corpo técnico do que pela cúpula política.
Adaptação climática é o tema mais recorrente, com 32 menções, seguido por energia e por defesa civil e emergência. Amazônia e rio Madeira lideram entre os territórios citados, com 16 registros cada, enquanto Rio Grande do Sul e Nordeste aparecem com cinco menções cada.
Reuniões de alto escalão e lacuna na política de adaptação
Parte do esforço aparece em encontros de maior visibilidade, como a reunião em que Lula convocou 24 ministros e chegou a reconhecer 22% de chance de um El Niño “super forte”. O ciclo de mobilização remonta a junho, quando a Organização Meteorológica Mundial confirmou 80% de probabilidade de formação do fenômeno e o governo montou um gabinete de crise.
Apesar do volume de registros, 103 dos 151 compromissos levantados não trazem informações sobre a pauta discutida — lacuna que reforça o diagnóstico de que o Brasil ainda carece de uma política permanente de adaptação climática. A última ocorrência do fenômeno, entre 2023 e 2024, provocou chuvas intensas no Sul e secas extremas no Norte do país.