A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou para a próxima semana uma série de encontros em Brasília com cerca de dez deputados argentinos de oposição ao presidente Javier Milei.
Os encontros, articulados pelo Itamaraty e pela Secretaria de Relações Institucionais, buscam reabrir o diálogo após o rebaixamento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina.
Rebaixamento diplomático e clima de tensão
A crise entre os dois países foi formalizada em 4 de agosto, quando o Itamaraty rebaixou as relações e retirou o embaixador Julio Bitelli em protesto aos ataques reiterados de Milei a Lula, chamado pelo argentino de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”. Ministros brasileiros revidaram: Dario Durigan (Fazenda) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) classificaram Milei de “palhaço” e “caricatura patética”.
O chanceler Mauro Vieira reafirmou que os contatos diplomáticos seguirão no nível de encarregados de negócios, abaixo do status de embaixadores, até que os ataques do argentino a Lula cessem. Do lado argentino, o chanceler Pablo Quirno chegou a tentar reduzir a temperatura da crise, mas passou a defender que a região vive uma “mudança ideológica” que espera ver repetida no Brasil, referência às eleições de outubro, nas quais Milei apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Diplomacia parlamentar como ponte
Os deputados argentinos Nicolás Massot e Martin Lousteau lideram a articulação e afirmam nas redes sociais que o objetivo é “abrir um canal de diplomacia parlamentar e contribuir para recompor um vínculo que nunca deveria ter sido afetado”. Segundo assessores presidenciais brasileiros, o governo Lula está disposto a dialogar tanto com a oposição quanto com a equipe de Milei para superar os atritos.
O movimento não é isolado: mesmo aliados do presidente argentino pressionam por normalização. Em agosto, a senadora Patricia Bullrich, próxima a Milei, chegou a pedir que o Brasil reenviasse seu embaixador a Buenos Aires, sinal de que a pressão parte de diferentes flancos do espectro político argentino. Paralelamente, o governo brasileiro já havia reagido a narrativas que tentavam atribuir ao Brasil a responsabilidade pela crise. As agendas e a lista de autoridades brasileiras que vão receber os parlamentares ainda estão sendo definidas.