O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou nesta quinta-feira (27) privatizar os Correios e prometeu recuperar a estatal, que acumula prejuízo de R$ 15 bilhões em quatro anos seguidos.
Em entrevista à Globo, o candidato à reeleição também afirmou que a dívida pública brasileira, que ultrapassou R$ 10 trilhões, “não preocupa”, e apostou no crescimento da economia para reduzir o endividamento.
Uma crise que vem desde 1985
Lula afirmou que os Correios enfrentam dificuldades há décadas — “desde 85 o Correio brasileiro vive em crise” — e atribuiu o rombo atual à falta de adaptação da estatal ao avanço de empresas privadas de entrega. A crise, porém, tem capítulos recentes: em julho de 2025, o então presidente da estatal pediu demissão após acumular prejuízo de R$ 1,7 bilhão em um único trimestre.
Segundo o presidente, uma nova administração já foi colocada à frente da empresa para “fazer o enxugamento que for necessário”. Ele não descartou buscar parcerias com companhias brasileiras ou estrangeiras para ampliar os serviços oferecidos, mas foi taxativo ao afastar a hipótese de venda da estatal.
Dívida pública e comparação internacional
Questionado sobre metas para reduzir o endividamento público, Lula não apresentou um patamar objetivo e atribuiu o avanço da dívida à taxa de juros de 14% ao ano e a um déficit fiscal de 2,8% que, segundo ele, foi herdado do governo de Jair Bolsonaro. Para sustentar que o patamar atual não é alarmante, citou índices de outros países: “80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália.”
A posição de Lula sobre os Correios contrasta com a de outro candidato ouvido na mesma série de sabatinas da Globo: Ronaldo Caiado defendeu a venda da estatal três semanas antes, embora tenha poupado Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal de propostas de privatização.
A entrevista com Lula foi a quarta de uma série que já ouviu Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos, e antecede o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.