Economia

Braskem, Casas Bahia e Marabraz lideram onda de recuperação judicial

Juros altos e crédito restrito pressionam empresas a renegociar bilhões em dívidas no Brasil
Fachadas da Braskem e Casas Bahia simbolizam a onda de recuperação judicial de empresas no Brasil sob juros altos

A Braskem protocolou nesta segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 56 bilhões em dívidas, ampliando a lista de grandes empresas brasileiras em crise financeira.

Na semana anterior, Casas Bahia e Marabraz recorreram à recuperação judicial, com passivos de R$ 17 bilhões e R$ 140 milhões, respectivamente, em meio a juros altos e crédito escasso.

Crise no setor petroquímico empurra Braskem à reestruturação

A gigante petroquímica enfrenta um cenário crítico havia semanas: credores já tinham rejeitado uma proposta que previa carência de cinco anos para o pagamento do principal, sinalizando o impasse que levaria ao protocolo formal nesta segunda-feira. A empresa, controlada atualmente pela IG4 Capital e originada da antiga Novonor, arrasta um passivo bilionário acumulado ao longo dos anos.

No varejo, o quadro segue padrão semelhante. O pedido da Casas Bahia, protocolado na semana passada, abrange a holding e mais nove empresas do grupo — incluindo a fabricante de móveis Bartira — e tem como objetivo reestruturar R$ 17,3 bilhões em dívidas acumuladas sob o peso de juros elevados e crédito cada vez mais restrito. A Marabraz, rede de móveis, também recorreu ao mecanismo, com passivo de R$ 140 milhões.

As duas empresas se somam a uma lista que já inclui nomes como Tok&Stok, Grupo Dia e St. Marche, todos afetados pelo mesmo conjunto de fatores: juros altos, menor oferta de crédito e mudança no comportamento do consumidor brasileiro.

Onda de reestruturações não é novidade em 2026

O movimento recente repete um padrão observado ao longo do ano. Em março, o Grupo Pão de Açúcar e a Raízen acionaram o mesmo mecanismo em menos de 48 horas, somando cerca de R$ 69,6 bilhões em passivos a equacionar, o que mostra que a fragilidade financeira de grandes companhias vem se acumulando há meses.

A discussão sobre os bastidores dessas negociações foi tema do podcast O Assunto, do g1, em episódio apresentado por Natuza Nery. As jornalistas Stella Fontes e Adriana Mattos, do jornal Valor Econômico, detalharam o contexto crítico do setor petroquímico e analisaram as estratégias que as redes de varejo têm adotado para tentar escapar da crise — incluindo renegociação de contratos com fornecedores, fechamento de lojas deficitárias e busca por novos aportes de capital.

Para especialistas do setor, o cenário de juros altos e crédito restrito deve continuar pressionando empresas endividadas nos próximos meses, o que pode elevar ainda mais o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial no país.

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