O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou nesta segunda-feira (24) para o avanço de linhas de crédito caras e sem garantia, que têm puxado o endividamento das famílias brasileiras para patamares elevados.
Segundo ele, o crescimento da dívida é impulsionado por modalidades usadas para consumo e despesas recorrentes — e não para formação de patrimônio, como ocorre no financiamento imobiliário.
O alerta ocorre mesmo com melhora nos indicadores: o desemprego ficou em 5,4% em junho e a renda disponível das famílias somou R$ 822 bilhões em maio, segundo dados apresentados por ele.
Para o presidente do BC, o ponto de atenção não é o volume da dívida em si, mas o perfil do crédito contratado. Ele diferenciou obrigações que ajudam a formar patrimônio — caso do financiamento imobiliário — daquelas contraídas para cobrir despesas do dia a dia, que não resultam em nenhum ativo para a família.
Alerta recorrente do Banco Central
O diagnóstico repete um alerta que o próprio BC já havia feito em abril, quando apontou que quase 130 milhões de brasileiros encerraram 2024 endividados, com o crédito sem garantia — sobretudo o rotativo do cartão — identificado como principal motor do superendividamento.
Durante a apresentação desta segunda-feira, Galípolo também comentou um levantamento da Quaest apresentado no evento: 80% dos brasileiros afirmam confiar no Pix, ante 70% que dizem confiar no próprio cônjuge — dado que ele tratou com bom humor ao reforçar o nível de credibilidade do sistema.
Pix como motor de inclusão financeira
Ao comentar a pesquisa, Galípolo classificou o Pix como um dos principais instrumentos de inclusão financeira do país. Segundo ele, a ferramenta já é usada por 148 milhões de pessoas físicas — equivalente a 86% da população adulta brasileira — além de 12,8 milhões de empresas.
A avaliação positiva soma-se a uma leitura que o próprio presidente do BC já vinha construindo: em maio, ele havia defendido o Pix como responsável por ampliar o acesso ao crédito ao bancarizar milhões de brasileiros — o que torna o alerta atual sobre o perfil dessas dívidas ainda mais relevante.