A petroquímica Braskem avalia pedir recuperação extrajudicial ainda em agosto para equacionar mais de US$ 10 bilhões em dívidas nas operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, apurou a Reuters nesta quarta-feira (12) com duas fontes a par das negociações.
A companhia é controlada pela gestora de private equity IG4 Capital e pela Petrobras.
A empresa tem prazo até 24 de agosto, quando expira a proteção obtida por medida cautelar concedida em junho. Procurada, a Braskem não quis comentar o assunto.
Uma dívida herdada da era Novonor
O controle da Braskem foi assumido recentemente pela gestora de private equity IG4 Capital, que comprou a fatia até então nas mãos da Novonor, ex-Odebrecht. Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, a companhia deve levar de três a cinco anos para resolver todos os desafios financeiros herdados desse período.
A crise que hoje ameaça levar a Braskem à recuperação extrajudicial ganhou contornos ainda em setembro de 2025, quando a contratação de assessores financeiros derrubou as ações ao menor nível em dez anos e a S&P rebaixou o crédito da empresa. O cenário piorou com um prolongado ciclo de baixa no setor petroquímico e com o desastre ambiental ligado às minas de sal da companhia em Alagoas, que enfraqueceu ainda mais o caixa da Braskem.
Oferta rejeitada pelos credores
A Braskem negocia com detentores de bônus e bancos alternativas para evitar um processo de reestruturação mais longo, mas nenhum acordo foi fechado até o momento. Os credores rejeitaram uma proposta da empresa que previa carência de cinco anos para o pagamento do principal e carência de dois anos e meio para o pagamento de juros.
Caso as tratativas avancem, o pedido extrajudicial deve prever um período de suspensão de cobranças de 90 dias — o chamado stay period — para que a companhia negocie um plano abrangente com os credores, protegida de eventuais ações judiciais durante essa janela.
Reestruturação também nos Estados Unidos
Paralelamente ao processo brasileiro, a Braskem avalia opções de reestruturação para a dívida de cerca de US$ 2 bilhões de sua subsidiária mexicana, que pode incluir um pedido de Chapter 11 — o instrumento de recuperação judicial dos Estados Unidos — com cronograma alinhado ao processo no Brasil, segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters.
A crise atual tem raízes na própria transição de controle da companhia. Quando a IG4 Capital assumiu o comando da Braskem em abril, já carregava cerca de R$ 20 bilhões em dívidas garantidas pelas próprias ações da petroquímica — o mesmo passivo que agora pressiona a empresa a buscar a proteção extrajudicial.
O impasse com credores também não é novo: em junho, a resistência dos bondholders a termos considerados desiguais já havia derrubado 12% das ações da Braskem em um único pregão, no mesmo dia em que a Justiça Federal de Alagoas tornou a companhia e ex-dirigentes réus pelo desastre socioambiental.