O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (24), com avanço de 0,06% por volta das 9h, cotado a R$ 5,1468. O pregão do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa às 10h.
O apetite por risco segue pressionado pelas eleições no Brasil, marcadas pelo primeiro debate presidencial sem os favoritos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), e pela guerra econômica dos EUA contra o Irã.
Debate presidencial esquenta a disputa eleitoral
O cenário eleitoral brasileiro segue no radar dos investidores após o primeiro debate presidencial, realizado na véspera sem a presença de Lula e do candidato Flávio Bolsonaro (PL), os dois primeiros colocados nas pesquisas. Na sexta-feira (21), o instituto Datafolha divulgou a intenção de voto segmentada, com cenários que consideram e desconsideram a candidatura de Pablo Marçal.
Lula e Trump discutem tarifas por telefone
A relação entre Brasil e Estados Unidos também ficou em evidência depois que Lula conversou por telefone com o presidente americano, Donald Trump, na sexta-feira. Lula classificou como “infundadas” as tarifas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros, enquanto Trump propôs uma nova rodada de reuniões entre as equipes técnicas dos dois países, com detalhes a serem definidos ainda nesta segunda-feira. As tarifas que Lula chamou de infundadas passaram a vigorar há pouco mais de um mês, quando os EUA impuseram uma taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros — medida que, à época, também coincidiu com nova escalada no Estreito de Ormuz.
Novo pacote de sanções contra o Irã
No cenário internacional, a guerra econômica declarada por Trump contra o Irã deve ganhar novos capítulos nesta segunda-feira, com o anúncio de um pacote de sanções descrito pelo secretário do Tesouro dos EUA como o “mais duro já aplicado” contra o país. Na semana passada, Trump publicou na Truth Social que promoverá a “operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país” e ameaçou impor “consequências econômicas enormes” a qualquer nação que apoie financeiramente Teerã. Em maio, conselheiros dos Emirados ainda estimavam 50% de chance de acordo entre Washington e Teerã — um otimismo que cedeu lugar ao pacote de sanções desta semana, descrito pelo Tesouro americano como o mais duro já aplicado contra qualquer país.
O Irã reagiu nesta segunda-feira: o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que países vizinhos que aderirem à pressão econômica americana podem enfrentar “consequências”. No sábado (22), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, já havia dito ter recebido mensagens de vizinhos sobre novos acordos de segurança e cooperação econômica na região.
O impasse mantém interrompido o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do comércio global de petróleo antes da guerra, o que segue pressionando os preços de energia, a inflação e o crescimento global. Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em queda nesta segunda: o CSI 300 recuou 1,21%, o Hang Seng caiu 1,89% e o Nikkei perdeu 0,74%, em meio à oferta inesperada de ações da Alibaba, que reacendeu temores sobre os gastos em inteligência artificial.