Economia

Dólar recua nesta quarta com decisão de juros do Fed em foco

Tensões entre Irã e EUA e temores sobre o Estreito de Ormuz também pressionam os mercados
Bandeira dos EUA ao fundo do Estreito de Ormuz, simbolizando tensão nos mercados antes da decisão de juros do Fed

O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (29) em queda de 0,03%, cotado a R$ 5,1201 por volta das 9h10, enquanto o mercado aguarda a nova decisão de juros do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.

A expectativa é que o Fed mantenha a taxa básica americana inalterada, mesmo com o mercado de trabalho aquecido e a inflação ainda acima da meta no país.

Fed em compasso de espera

O foco da sessão desta quarta-feira é a decisão de juros do Federal Reserve. O mercado projeta que a autoridade monetária americana mantenha as taxas inalteradas, movimento que reflete a cautela diante de um mercado de trabalho ainda aquecido e de uma inflação que segue acima da meta nos Estados Unidos.

Enquanto o resultado da reunião não sai, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre as negociações às 10h desta quarta, também sob influência do cenário externo.

Escalada entre Irã e Estados Unidos

No Oriente Médio, o Irã acusou nesta quarta os Estados Unidos de bombardear a cidade de Piranshahr, no noroeste do país. Se confirmado, seria o primeiro ataque americano direto contra território iraniano na semana.

A acusação vem um dia depois de a Guarda Revolucionária iraniana disparar mísseis balísticos contra uma base dos EUA na Jordânia. Segundo o Comando Central americano (CentCom), todos os projéteis foram interceptados e as forças americanas seguem em alto estado de prontidão. O ataque à base na Jordânia não foi isolado: dias antes, ao menos quatro militares dos EUA já haviam morrido em ataques iranianos na região, o que levou o CentCom a retaliar com uma nova onda de bombardeios.

Em resposta, EUA e Arábia Saudita atacaram em conjunto militantes pró-Irã no Iraque. A Autoridade de Mobilização Popular iraquiana confirmou mortos e feridos nos bombardeios da madrugada desta quarta.

O principal temor do mercado é que o conflito reduza o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. Qualquer restrição na região tende a pressionar a oferta global da commodity e, por consequência, os preços de combustíveis no Brasil.

A tensão no Oriente Médio não é recente: a importância do Estreito de Ormuz para o mercado já havia ficado clara semanas antes, quando um bloqueio naval na rota chegou a ser cogitado, alimentando temores semelhantes sobre o abastecimento global de petróleo.

Na Ásia, as bolsas fecharam o dia sem direção única. O CSI 300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzen, subiu 2%, enquanto o Índice de Xangai (SSEC) avançou 0,70% e o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 2%. Na contramão, o Nikkei, do Japão, recuou 1,49%, e o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 5,89%.

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