Economia

Dólar abre em alta com tarifaço de Trump e tensão no Irã

Ataques dos EUA a alvos iranianos e balanço de empresas também pautam o mercado nesta quarta
Trump discursa e mapa do Estreito de Ormuz simbolizam tensão global que impulsiona o tarifaço de Trump no Brasil

O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (22) em alta, com avanço de 0,17% por volta das 9h, cotado a R$ 5,0816. Investidores reagem ao novo tarifaço imposto por Donald Trump e aguardam resultados corporativos ao longo do dia.

O pregão do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa às 10h, também sob influência da escalada do conflito no Oriente Médio e do Estreito de Ormuz.

Tarifaço de 25% entra em vigor e amplia pressão sobre Brasília

A nova taxa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22) e segue no radar do mercado. O governo americano também deve anunciar em breve uma alíquota extra, entre 10% e 12,5%, para cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil.

A medida foi justificada por uma investigação do governo de Donald Trump, que concluiu que o país adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio bilateral, citando o sistema de pagamentos Pix e a regulação de plataformas digitais. O governo brasileiro contesta os argumentos e avalia a tarifa como uma tentativa de interferência em temas internos, com motivação política. A tarifa que entrou em vigor nesta quarta-feira é o desfecho do prazo que o USTR tinha para decidir sobre o processo aberto contra o Brasil, que já havia levado o governo brasileiro a liberar uma linha de financiamento de R$ 15 bilhões para os setores afetados.

Produtos como petróleo, café e carne bovina ficaram de fora da lista, mas setores como etanol, máquinas agrícolas e papel devem sentir o impacto da nova taxação enquanto o governo ainda negocia com empresários dos segmentos afetados.

Ataques dos EUA ao Irã e temor por bloqueio em Ormuz pressionam petróleo

Na madrugada desta quarta, os Estados Unidos atacaram alvos iranianos pela 11ª noite consecutiva, atingindo centros de comando, sistemas de defesa aérea e lançadores de mísseis e drones. Trump afirmou ainda que pode atacar “muito em breve” a montanha de Pickaxe, próxima à instalação nuclear de Natanz, onde o Irã manteria parte da infraestrutura de enriquecimento de urânio.

Em resposta, o comando militar iraniano ameaçou atacar investimentos dos EUA e de aliados caso instalações nucleares do país sejam bombardeadas. Segundo o Ministério da Saúde iraniano, 50 civis morreram e 500 ficaram feridos nos ataques recentes; os EUA confirmaram 18 militares mortos desde o início da guerra. Os ataques que seguem nesta quarta dão continuidade à escalada que começou com o colapso do cessar-fogo entre EUA e Irã, quando petroleiros já haviam sido alvejados no mesmo estreito.

A menor circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz volta a preocupar o mercado global de petróleo. A queda no número de embarcações cruzando o estreito remonta ao bloqueio naval e à taxa de 20% sobre cargas que Trump havia anunciado para a rota dias antes.

Na Ásia, as bolsas fecharam mistas: o CSI 300 caiu 0,46% e o Hang Seng recuou 0,95%, enquanto o Kospi avançou 0,74% e o SSEC teve leve alta de 0,07%, em dia de realização de lucros após a maior valorização em três meses.

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