No Brasil, o valor médio da taxa condominial chegou a R$ 516 por mês, alta de 25% entre 2022 e 2025 — acima da inflação medida pelo IPCA no período, segundo o Censo Condominial 2025/2026 da plataforma uCondo.
O reajuste, batizado de “segundo aluguel”, pode consumir até 40% do valor de um aluguel mensal e já pesa no orçamento de ao menos 40 milhões de brasileiros que vivem em condomínios.
Por que a taxa subiu
O aumento reflete custos operacionais mais altos: manutenção de elevadores, escassez de mão de obra e uma leva de novas demandas, como carregadores para carros elétricos e espaços para pets — já presentes em mais da metade dos lares do país. Em São Paulo, uma lei recente passou a exigir laudo técnico para síndicos que queiram barrar a instalação de carregadores elétricos, o que tende a acelerar essa despesa e pressionar ainda mais as taxas condominiais.
A comparação internacional expõe uma particularidade brasileira, marcada por portaria 24 horas e câmeras internas. “Apartamentos na Europa, por exemplo, não tem quase nada disso”, aponta a especialista Castelo. “Muitas pessoas compram o imóvel vendo a prestação e esquecem o condomínio, é um preço oculto”, completa.
Inadimplência em alta
O levantamento identificou ainda um salto na inadimplência condominial, de 9,72% para 11,95% entre 2022 e 2025 — o Rio Grande do Norte lidera com 32,83%. O movimento acompanha um aperto mais amplo no bolso das famílias: em julho de 2025, a inadimplência geral no país chegou a 30,2% da população, o maior nível em quase dois anos, segundo a CNC.
Segundo Leonardo Mack, diretor de operações da uCondo, não há um recorte de renda específico entre os inadimplentes — moradores de prédios classe A têm migrado para classe B para adequar as taxas ao orçamento. “A dívida não fica no CPF, vai para o imóvel”, alerta, lembrando que o não pagamento pode levar ao leilão da unidade.
Corte de porteiros e disputa judicial
Para reduzir despesas, mais de 14 mil condomínios brasileiros já substituíram porteiros por sistemas eletrônicos — item que costuma concentrar a maior fatia dos custos, ao lado de zeladoria e segurança. Em 2025, o TST passou a determinar indenização de dez salários da categoria para demissões nessa condição, sob o argumento de compatibilizar o avanço tecnológico com a valorização social do trabalho.
Na Assembleia Legislativa de São Paulo, projeto do deputado Márcio Nakashima quer restringir a portaria virtual em condomínios com mais de 30 imóveis, sob o argumento de que a medida ameaça cerca de 150 mil vagas de porteiros no estado. Associações do setor apontam ainda riscos como perda de acesso em quedas de luz ou internet.
O aperto no bolso também reconfigura decisões de moradia: o “segundo aluguel” se soma a um mercado de locação que já cresceu 54% em nove anos, com 23,8% dos domicílios ocupados por locatários — tornando cada real extra do condomínio decisivo na escolha de onde morar.