Economia

Aluguel avança 54% em nove anos e transforma o perfil da moradia no Brasil

IBGE aponta recuo da casa própria quitada e capitais com quase metade dos imóveis alugados
Edifícios residenciais brasileiros representando o crescimento do aluguel no Brasil e o impacto na moradia das famílias

O Brasil chegou a 2025 com 79 milhões de domicílios — e uma mudança silenciosa na forma como os brasileiros moram. Em nove anos, o número de imóveis alugados cresceu 54,1%, enquanto a proporção de casas próprias quitadas recuou pelo quinto período consecutivo desde 2016.

Os dados são da PNAD Contínua, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE. Hoje, 23,8% dos domicílios — 18,9 milhões de moradias — estão ocupados por locatários. Em 2016, eram 18,4%, ou 12,3 milhões de imóveis.

Casa própria recua enquanto financiamento acelera

A queda na propriedade quitada é consistente ao longo da série histórica: de 66,8% em 2016, a proporção recuou para 60,2% em 2025. No outro extremo, os imóveis ainda em pagamento — relativamente estáveis por anos — aceleraram no período mais recente: só entre 2024 e 2025, esse grupo cresceu 15,9%, atingindo 6,8% do total de domicílios.

Para o analista da PNAD Contínua William Kratochwill, a renda dos brasileiros cresceu de forma consistente nos últimos anos, mas não o suficiente para garantir acesso ao sistema formal de habitação para a maioria das famílias. Diante dessa barreira, o aluguel virou a saída mais acessível.

Nas capitais, o fenômeno é ainda mais marcante. Palmas lidera com 47,3% dos domicílios alugados — praticamente metade da cidade. Florianópolis aparece com 36%, seguida por Goiânia (35,3%) e Brasília (34,5%).

Nas grandes metrópoles, a virada também é expressiva. Em São Paulo, a participação do aluguel subiu de 26,4% para 29,9% em nove anos. No Rio de Janeiro, foi de 20,3% para 28,2%. Belo Horizonte registrou o maior avanço entre as três: de 19,5% para 29,6%. Em Belém, a proporção quase dobrou — de 11,1% para 21,2%.

Imóveis concentrados em menos mãos

Kratochwill aponta que parte desse movimento está ligada à concentração patrimonial. Muitos dos apartamentos recém-construídos não são ocupados pelos próprios donos: vão diretamente ao mercado de locação. Com isso, a propriedade imobiliária tende a se concentrar em menos pessoas, que passam a alugar unidades para outras famílias.

“A riqueza associada à propriedade de imóveis acaba ficando na mão de proporcionalmente menos pessoas”, resumiu o analista.

O movimento em direção ao aluguel ocorre justamente quando o governo amplia o Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 13 mil — sinal de que o acesso à casa própria exige cada vez mais subsídio público para se viabilizar.

Cidades que crescem para cima

Outro fenômeno documentado pela pesquisa é a aceleração da verticalização nas capitais. Porto Alegre já tem maioria de apartamentos: 52,1% dos domicílios. Vitória aparece logo atrás, com 49,9%, e Belo Horizonte alcança 45,1%.

Algumas cidades registraram saltos ainda mais rápidos. João Pessoa viu a participação de apartamentos ir de 30% para 45,9% em nove anos. Aracaju avançou de 26,8% para 39,6%. Em Brasília, a proporção passou de 26,7% para 38,5%.

Mesmo cidades historicamente horizontais avançam no ritmo. Em Manaus, os apartamentos foram de 18,8% para 24,5%. Em Fortaleza, de 21,8% para 25,9%. Campo Grande, Porto Velho e Rio Branco ainda têm perfil predominantemente horizontal, com menos de 14% de unidades verticais.

Segundo Kratochwill, a verticalização responde a uma lógica dupla: adapta o espaço escasso das áreas urbanas e oferece maior potencial de rentabilidade às incorporadoras em comparação com construções horizontais — o que reforça a expansão desse modelo nas grandes cidades.

A multiplicação de apartamentos menores nas cidades também reverbera em outros setores da economia: a queda de 21% no emprego doméstico formal na última década está entre os fenômenos que pesquisadores associam à mudança no perfil das moradias urbanas.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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