O mercado financeiro reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 de 1,98% para 1,95%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (24) pelo Banco Central (BC).
O levantamento, feito com mais de 100 instituições financeiras, também manteve a expectativa de inflação em 5,02% para o ano e sinalizou novos cortes na taxa de juros, hoje em 14% ao ano.
Desaceleração em relação a 2025
Com o novo número, os analistas passam a projetar uma economia brasileira mais lenta em 2026. Em 2025, o PIB cresceu 2,3%, segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2027, a estimativa de expansão permanece estável em 1,5%.
Na prática, o PIB mede se a economia produz mais ou menos ao longo do tempo — quando cresce, indica atividade aquecida; quando desacelera, sinaliza um ritmo mais fraco de geração de renda e empregos, ainda que isso nem sempre se traduza em bem-estar social.
Inflação estável apesar da guerra no Oriente Médio
A manutenção da estimativa de inflação em 5,02% chama atenção porque ocorre em meio à retomada do conflito no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo e pressiona os combustíveis no Brasil. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu novas rodadas de negociação, mas o Irã impõe condições para retomar o diálogo.
O cenário já vinha sendo monitorado pelo mercado havia meses. Em maio, como mostrou o Tropiquim, os analistas já projetavam inflação acima de 5% havia 11 semanas seguidas — pressionados pelo mesmo conflito que hoje mantém o IPCA travado em 5,02%.
Juros em queda e câmbio revisado para 2027
A taxa básica de juros, a Selic, está em 14% ao ano após quatro cortes neste ano, e o mercado financeiro continua prevendo novas reduções para os próximos períodos. A trajetória de juros mais baixos é um dos fatores associados à desaceleração esperada do PIB.
Para o câmbio, a expectativa para o fechamento de 2026 foi mantida em R$ 5,20 por dólar. Já para 2027, a projeção dos economistas dos bancos subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30.
A comparação com boletins anteriores ajuda a dimensionar a mudança de cenário: em março, como registrou o Tropiquim, o mercado projetava inflação de 3,91% e PIB de 1,82% para 2026 — números que mostram como o quadro inflacionário se deteriorou nos meses seguintes, mesmo com leve alta na projeção de crescimento do PIB.