Política

CNJ mantém juiz afastado de falência do Banco Santos por vínculo com Master

Corregedoria apontou interlocuções extraprocessuais após reunião com herdeiros de Edemar Cid Ferreira em 2024
Fachada do CNJ em Brasília e logo do Banco Master no caso do juiz afastado banco santos master

O plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou, nesta terça-feira (18), o afastamento do juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências de São Paulo, do processo de falência do Banco Santos. A decisão unânime ratifica o voto do corregedor nacional, Mauro Campbell Marques.

O magistrado é apontado por sugerir aos herdeiros da instituição a venda do banco ao Banco Master, em reunião realizada em 2024 — antes de as fraudes do banco de Daniel Vorcaro virem a público.

Interlocuções fora do processo

Segundo o corregedor Mauro Campbell Marques, o encontro entre o juiz e os herdeiros de Edemar Cid Ferreira, fundador e ex-controlador do Banco Santos, configurou interlocuções extraprocessuais incompatíveis com o exercício da função. Além de indicar a venda ao Banco Master, Oliveira Filho teria criticado a atuação dos advogados que representavam a massa falida e sugerido a substituição da equipe.

O processo de falência do Banco Santos está suspenso por decisão do CNJ desde que o episódio veio à tona. Originalmente, o corregedor havia determinado o afastamento do magistrado de todas as suas atividades na vara. No plenário, porém, ele ajustou o voto para restringir a medida especificamente ao processo falimentar do Banco Santos.

“Estou trazendo a ratificação, porém reduzindo a abrangência de afastamento ao feito sob julgamento naquela unidade jurisdicional, ou seja, todo o processo falimentar do Banco Santos”, afirmou o corregedor durante a sessão.

Mais um capítulo do Caso Master

O episódio se soma a uma série de apurações que investigam a proximidade de agentes públicos e institucionais com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero. O CNJ classificou a conduta do juiz como incompatível com a magistratura justamente por ocorrer à margem dos autos, sem registro formal no processo.

O episódio se insere num padrão que as investigações vêm revelando: enquanto o CNJ identificou interlocuções extraprocessuais do juiz com partes ligadas ao Banco Master, a CGU apura, em paralelo, dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de atuar como consultores informais de Vorcaro — casos distintos que apontam para o mesmo fenômeno de vínculos irregulares com o banco.

Com a decisão unânime do plenário, o processo de falência do Banco Santos segue suspenso e deverá ser redistribuído a outro magistrado da 2ª Vara de Falências de São Paulo.

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