A Controladoria-Geral da União (CGU) prorrogou por mais 60 dias a investigação contra dois servidores do Banco Central suspeitos de atuar como consultores informais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, entre 2019 e 2023.
Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe de supervisão bancária, estão afastados do BC desde janeiro enquanto a CGU aguarda provas do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, para avançar no processo.
Simulação de consultoria e venda de imóvel
O processo na CGU foi aberto depois de uma investigação interna do Banco Central identificar indícios de que os dois servidores simularam prestação de serviços de consultoria e a venda de um imóvel para ocultar o recebimento de recursos ligados ao banco Master.
A apuração interna se baseou na evolução patrimonial dos servidores: os bens dos dois cresceram muito além do que seria compatível com a renda recebida no serviço público entre 2019 e 2023.
Procurados pelo BC, Paulo Sérgio e Belline afirmaram não saber que as empresas envolvidas nos negócios tinham relação com Vorcaro e o Master.
A apuração da CGU corre em paralelo à investigação mais ampla da Polícia Federal sobre as fraudes do Banco Master, que deve ser concluída já em agosto.
Defesas contestam conclusões da sindicância do BC
Em nota, os advogados de Paulo Sérgio disseram que a defesa compreende a prorrogação do prazo do procedimento administrativo como medida indispensável a sua completa instrução, de forma a permitir a ampla defesa e contraditório a que Paulo Sérgio, como cidadão, possui direito.
Segundo a nota, no procedimento junto à CGU tem sido possível produzir provas que contradizem as conclusões da sindicância conduzida pelo BC.
A defesa de Belline, por sua vez, afirmou que ele sempre exerceu suas atividades no Banco Central do Brasil de forma técnica e, principalmente, lícita, dentro dos limites legais.
André Mendonça, o mesmo relator de quem a CGU aguarda o compartilhamento de provas, já determinou outras medidas no caso, como a apreensão do passaporte de um publicitário ligado a Vorcaro.
