Meio ambiente

Manaus registra calor recorde com avanço do El Niño

Sem chuva há mais de um mês, cidade já soma mais de 200 focos de incêndio em agosto
Vista aérea da Amazônia com tons alaranjados do El Niño ilustrando o calor recorde em Manaus durante seca prolongada

Manaus registrou nesta semana o dia mais quente do ano, novo recorde de calor de 36,3°C, segundo o Inmet — marca considerada atípica para a época. O calor extremo é reflexo do El Niño, fenômeno de aquecimento anormal do oceano Pacífico que intensifica a estiagem do verão amazônico.

Entre 12h e 15h, horário de pico, o índice de calor sentido pela população fica ainda mais alto nas ruas da capital amazonense.

Chuva escassa há mais de um mês

O verão amazônico já é, por natureza, o período mais seco do ano na região. Mas o El Niño tem tornado o cenário ainda mais severo: em Manaus, não chove de forma considerável há mais de 30 dias, segundo o Inmet.

A combinação de calor intenso com baixa umidade do ar tem gerado outro efeito recorrente nesta época: o avanço dos incêndios. Somente nos dois primeiros fins de semana de agosto, foram registrados mais de 200 focos de fogo na capital.

O NOAA elevou, três dias antes do recorde de calor em Manaus, para 90% a chance de o El Niño atingir intensidade muito forte até dezembro, o que sugere que os efeitos extremos na Amazônia ainda não chegaram ao pico.

Um roteiro que já se repetiu antes

Quando a NOAA confirmou o El Niño em junho, o alerta já era de que o Norte do país enfrentaria menos precipitação e maior risco de secas prolongadas — cenário que agora se concretiza nas ruas de Manaus.

A situação lembra o que ocorreu em 2023-24, quando a mesma combinação de estiagem e calor intensificou os incêndios na Amazônia e chegou a causar a morte de mais de 200 botos na região. Com o fenômeno ainda em fase de fortalecimento, moradores e autoridades locais devem monitorar de perto o avanço das queimadas nas próximas semanas.