A NOAA atualizou nesta quinta-feira (13) sua previsão para o El Niño e elevou para 90% a chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, ante 81% no boletim de julho.
A revisão reflete o aquecimento acelerado do Pacífico Equatorial: a anomalia de temperatura na região Niño 3.4 saltou de +1,2°C para +1,8°C em cerca de um mês, segundo dados mais recentes da agência.
Como o Pacífico aqueceu em um mês
Ainda segundo a NOAA, há 69% de chance de o evento atual figurar entre os El Niños mais fortes já registrados desde 1950, início das séries históricas de monitoramento do Pacífico Equatorial.
O índice da região Niño 3.4, um dos parâmetros mais usados para acompanhar o fenômeno, estava em +1,2°C no boletim de julho da NOAA. Na atualização publicada em 10 de agosto, a anomalia já havia chegado a +1,8°C — um salto de meio grau em pouco mais de trinta dias.
Esse patamar de +1,8°C já é tratado pela Climatempo como compatível com um El Niño de intensidade forte. A NOAA, porém, ainda descrevia o episódio como um fenômeno em fortalecimento no boletim anterior, sem classificá-lo oficialmente como forte.
O que diferencia El Niño de La Niña
El Niño e La Niña são as duas fases opostas do mesmo ciclo climático, batizado de ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é definido pelo aquecimento igual ou superior a 0,5°C das águas do Pacífico equatorial, enquanto a La Niña corresponde ao resfriamento dessas mesmas águas. O fenômeno se repete a cada dois a sete anos e dura, em média, doze meses.
Efeitos esperados no Brasil
O pico do El Niño atual é esperado entre novembro e janeiro, período que coincide com a primavera e o início do verão no Hemisfério Sul. Historicamente, o fenômeno costuma aumentar o volume de chuva no Sul do país, elevando o risco de temporais e cheias.
No Norte e em parte do Nordeste, a tendência é oposta: a redução das precipitações pode agravar períodos de seca. No Sudeste e no Centro-Oeste, os impactos tendem a ser mais irregulares, com calor mais frequente, chuvas mal distribuídas e mudanças no comportamento das frentes frias.
A trajetória do fenômeno já vinha sendo monitorada desde abril, quando a NOAA declarou o fim da La Niña e estimava em 60% a chance de um El Niño no segundo semestre — probabilidade que saltou para 90% em quatro meses. Em junho, a Organização Meteorológica Mundial confirmou o fenômeno como iminente, levando o governo federal a montar um gabinete de crise climática. No mesmo mês, o Inmet já alertava para o aquecimento do Pacífico, quando a anomalia na região Niño 3.4 estava em apenas 0,7°C — nível que subiu para 1,8°C em menos de dois meses.
Especialistas reforçam que, mesmo em anos de El Niño moderado, o aquecimento global já elevado do planeta tende a intensificar os efeitos de secas, enchentes e ondas de calor.