O Instituto Talanoa lançou o Monitor do El Niño, ferramenta que reúne decretos, comitês e programas de governos federal, estaduais e municipais para prevenir, monitorar e responder aos impactos do fenômeno climático no Brasil.
A iniciativa chega em meio a eventos extremos provocados pelo chamado super El Niño, que já altera o clima em diferentes regiões do país e exige resposta rápida do poder público.
Segundo Liuca Yonaha, vice-presidente do Instituto Talanoa, organização responsável pela iniciativa, o monitor já revela um movimento importante entre os gestores públicos. “Estamos vendo governos tomando medidas para se antecipar aos impactos do El Niño, em diferentes regiões do Brasil. Muitos atos estão longe do que seria uma preparação efetiva, alguns claramente apenas para constar, mas é fato que algo aconteceu nos últimos anos na atenção dada pelos gestores públicos à questão climática”, afirma.
Ela aponta, no entanto, lacunas que seguem sem solução: “Falta ainda coordenação, governança, capacidades técnicas até o nível local, e, claro, financiamento”. Um exemplo do tipo de ação que o monitor passa a rastrear foi a reunião ministerial convocada pelo presidente Lula na semana passada, quando 24 ministros foram chamados para discutir uma resposta federal ao fenômeno classificado como “super forte”.
Como funciona a ferramenta
O Monitor do El Niño organiza decretos, comitês e programas por esfera de governo — União, Estados e Municípios — permitindo que qualquer cidadão consulte o que está sendo feito em sua localidade. A proposta é dupla: dar à sociedade civil instrumentos para cobrar ações onde elas não existem e oferecer a gestores públicos exemplos de medidas replicáveis.
O lançamento do monitor ocorre num momento em que o país ainda carece de uma política permanente de adaptação climática. Levantamento anterior já apontava que o Brasil segue sem uma estrutura consolidada de adaptação, o que torna o acompanhamento de ações pontuais ainda mais relevante para pressionar por políticas contínuas.
O alerta técnico também já vinha de instituições oficiais: o Cemaden havia sinalizado ao governo federal o risco de um El Niño forte ou muito forte entre 2026 e 2027, cenário que o novo monitor agora ajuda a verificar se resultou em resposta concreta dos três níveis de governo.
O Monitor do El Niño integra o conjunto de ferramentas do projeto Política por Inteiro, que também mantém o Monitor do Fundo Clima, voltado ao acompanhamento do principal instrumento de financiamento climático do país, e a NOA, inteligência artificial da Talanoa que responde a perguntas sobre política climática com base em dados produzidos pela organização.