Política

PF entrega ao STF decisão sobre destino de 10 armas de Bolsonaro

Revogação do porte veio após pistola ser flagrada com agente de segurança em blitz
Bolsonaro em retrato oficial, STF ao fundo e brasão da PF — armas de Bolsonaro apreendidas aguardam decisão judicial

A Polícia Federal (PF) pediu nesta terça-feira (11) que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida o destino de 10 armas de fogo apreendidas do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar pela condenação na trama golpista.

Segundo a corporação, as apreensões não partiram de investigação criminal própria nem de inquérito policial em curso, por isso cabe ao STF definir o que fazer com o arsenal.

Como as armas chegaram às mãos da PF

A determinação de apreender o arsenal partiu do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que revogou em julho o Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) de Bolsonaro e ordenou a apreensão imediata de todas as armas vinculadas a ele. A medida foi motivada pela descoberta de uma pistola Glock com um agente da segurança pessoal do ex-presidente durante uma blitz.

A apreensão da Glock escancarou divergências entre o que estava registrado em nome de Bolsonaro e o que de fato existia, levando a uma busca na casa do ex-presidente que não encontrou nenhuma arma. Antes disso, Moraes já havia determinado que o Exército entregasse à PF, em até 48 horas, oito armas que estavam guardadas em unidade militar em vez de com a corporação, como a decisão original exigia.

Das 10 armas listadas na decisão, duas já estavam com a PF desde 2023, por ordem do Tribunal de Contas da União (TCU), e outras seis vieram do Exército, entregues anteriormente pela defesa de Bolsonaro. As duas restantes são a pistola apreendida com o segurança e uma espingarda Maestro Arms Company, customizada com a bandeira do Brasil, apreendida no Rio Grande do Sul — tratava-se de um presente ao ex-presidente que nunca havia sido retirado da importadora responsável pela venda.

Por que a PF não decide sozinha

A Polícia Federal argumenta que não tem competência para definir o destino do armamento porque as apreensões não decorreram de inquérito policial próprio nem de investigação criminal conduzida pela corporação — elas resultaram diretamente de decisões cautelares do STF no processo da trama golpista. Por isso, agora cabe a Moraes decidir se as armas serão destruídas, incorporadas ao patrimônio público ou destinadas a outro fim.

A espingarda Maestro Arms Company chegou à PF depois que um morador do Rio Grande do Sul procurou a corporação e a entregou voluntariamente, fechando o ciclo de recolhimento das 10 armas vinculadas ao ex-presidente. Enquanto o STF não se manifesta sobre o destino final do arsenal, Bolsonaro segue proibido de portar ou possuir armas de fogo, uma das restrições que acompanham sua prisão domiciliar.

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