A Polícia Civil do Distrito Federal colheu nesta terça-feira (23) o depoimento de Jair Bolsonaro sobre uma pistola Glock 9mm registrada em seu nome e apreendida há uma semana em Brasília.
A oitiva ocorreu de forma presencial no condomínio de alto padrão onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária — sem que ele precisasse sair de casa para responder ao inquérito.
O ministro do STF Alexandre de Moraes, relator da pena, negou o pedido policial por videoconferência, citando restrição legal ao uso de comunicações eletrônicas pelo condenado.
A pistola foi apreendida em uma blitz da Polícia Militar na manhã de 15 de junho, no Pistão Norte, em Brasília. O episódio levou Moraes a exigir explicações em 24 horas sobre como a arma havia deixado o condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
O veículo era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), cedido à Casa Civil para atuar na segurança do ex-presidente. Ele prestou depoimento e foi liberado, declarando que transportava o armamento para reparos.
A Glock foi recolhida porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no carro no momento da abordagem. Uma consulta ao sistema do Exército confirmou que o registro era regular e constava no nome de Bolsonaro.
A PM do DF admitiu formalmente ao STF que os veículos do GSI não eram revistados na saída da residência — falha no protocolo de segurança que permitiu o transporte da arma sem detecção até a blitz. O caso é conduzido pela Polícia Civil do DF e acompanhado pelo Supremo.
Investigadores avaliam que, a depender dos elementos reunidos no inquérito, as condutas de Bolsonaro e do militar podem ser enquadradas em diferentes tipos penais.
Defesa alega que arma foi desativada por razões de saúde mental
Em documento enviado ao STF, a defesa de Bolsonaro afirmou que a própria equipe de segurança havia tornado a pistola inoperante para evitar riscos, diante das condições de saúde mental do ex-presidente.
Segundo a defesa, Bolsonaro manipulou a arma, testou o disparo e constatou que o mecanismo não funcionava regularmente. Foi então que pediu a um militar da segurança pessoal que levasse o armamento para conserto.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março, está sob prisão domiciliar humanitária autorizada por Moraes por prazo inicial de 90 dias, para recuperação de uma broncopneumonia.
Não é o primeiro incidente durante o cumprimento das restrições. Em novembro de 2025, o ex-presidente tentou violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, alegando alucinações e “certa paranoia” provocadas pelo uso de medicamentos.
