Política

Lula e Flávio Bolsonaro fecham palanques nos 8 maiores colégios eleitorais

Presidente tenta crescer no Sudeste e senador do PL mira o Nordeste para reduzir vantagem histórica do adversário
Palanques de Lula e Flávio Bolsonaro: presidente e senador disputam colégios eleitorais em 2026

Com o fim das convenções partidárias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) fecharam seus palanques nos oito maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará.

Juntos, os estados somam mais de 100 milhões de eleitores, quase 70% do eleitorado apto a votar em outubro. Lula tenta avançar no Sudeste, enquanto Flávio, que escolheu o alagoano Alfredo Gaspar (PL) como vice, mira o Nordeste, região onde o petista historicamente vence com folga.

São Paulo e Minas Gerais travam a disputa

No maior colégio eleitoral do país, com 31,2 milhões de eleitores, o palanque petista reúne quatro ex-ministros em torno de Fernando Haddad: Márcio França como vice e Simone Tebet e Marina Silva na disputa ao Senado. A aposta é reforçar a imagem da frente ampla que elegeu Lula em 2022 para tentar levar a corrida ao segundo turno.

Do outro lado, Flávio tem em Tarcísio de Freitas seu principal fiador em São Paulo, mas o apoio pessoal do governador não foi suficiente para trazer o Republicanos para a campanha nacional do senador. A cúpula do PL avalia que vencer no primeiro turno paulista isolaria Lula no estado — ainda que isso possa esfriar o interesse do eleitor local pelo segundo turno da disputa presidencial.

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, nenhum dos dois conseguiu o palanque ideal. Lula tentou emplacar Rodrigo Pacheco e depois Josué Gomes da Silva, mas fechou com o ex-prefeito Patrus Ananias após as negativas. Flávio queria o senador Cleitinho, líder nas pesquisas, mas ele foi barrado pelo Republicanos após uma sequência de idas e vindas — e o PL só definiu Flávio Roscoe como candidato no último dia de convenção.

Rio de Janeiro expõe as fissuras do bolsonarismo

No berço político da família Bolsonaro, com 13,5 milhões de eleitores, o palanque de Flávio foi desmontado por sucessivas baixas: Cláudio Castro deixou a disputa ao Senado após ser alvo de duas operações da Polícia Federal, e Márcio Canella recuou depois da federação entre União Brasil e PP declarar neutralidade nacional, mesmo movimento que já vinha reduzindo o espaço de Flávio em Minas Gerais. Diante disso, o PL lançou uma chapa só com nomes do partido, com Carlos Portinho e Carlos Jordy ao Senado.

Enquanto o palanque bolsonarista perde força e tempo de TV, Eduardo Paes (PSD), aliado de Lula, lidera as pesquisas ao governo fluminense com Benedita da Silva (PT) na disputa ao Senado.

Nordeste concentra a estratégia de Flávio

A escolha de Alfredo Gaspar como vice, definida no fim das convenções, é peça central da tentativa do PL de furar o domínio histórico de Lula na região — em 2022, o petista teve 69,34% dos votos válidos do Nordeste contra Jair Bolsonaro. Na Bahia, porém, o cenário segue favorável a Lula: ACM Neto, favorito nas pesquisas ao governo, já declarou apoio a Ronaldo Caiado para a Presidência, deixando Flávio sem palanque local, ainda que os candidatos ao Senado da chapa apoiem o senador do PL.

Em Pernambuco, a articulação de Lula por um palanque duplo com a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos fracassou, e o presidente declarou apoio a Campos. Já no Ceará, o palanque de Flávio provocou uma crise pública com a madrasta Michelle Bolsonaro, que criticou nas redes sociais o apoio do PL local à candidatura de Ciro Gomes ao governo em troca de uma vaga ao Senado para Alcides Fernandes.

Lava Jato e disputa gaúcha completam o mapa

No Paraná, Flávio reuniu Sergio Moro e Deltan Dallagnol, nomes ligados à Operação Lava Jato, enquanto Lula aposta na tese de que a operação teve motivação política. No Rio Grande do Sul, o PL conseguiu o que falta ao senador nacionalmente — apoio de PP, Novo, Republicanos e Podemos —, e o PT, pela primeira vez, não lança candidato próprio ao governo do estado, apostando em Juliana Brizola (PDT).

O quadro fragmentado mostra como o cenário mudou desde o início das convenções, quando Flávio ainda negociava uma vice mulher e não havia fechado nenhuma aliança estadual — sinal das dificuldades que o PL enfrentou para montar palanques competitivos em praticamente todo o país.

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