Faltam três dias para o fim das convenções partidárias e dois dos cinco principais candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), ainda não fecharam o nome do vice que vai compor suas chapas na eleição de 2026.
O prazo para a definição termina nesta quarta-feira (5), e o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve ocorrer até o dia 15 de agosto.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) já confirmaram seus vices, enquanto os dois adversários seguem em busca de parceiros de chapa.
Chapas já fechadas apostam na repetição e no “puro-sangue”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorre à reeleição ao lado de Geraldo Alckmin (PSB), a mesma dupla que venceu a eleição de 2022. A candidatura foi oficializada neste domingo (2), na convenção nacional do PT em São Paulo, uma semana depois de o PSB confirmar Alckmin em evento realizado em Brasília.
No governo, Alckmin acumulou a vice-presidência com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e teve papel central nas negociações com os Estados Unidos durante o tarifaço imposto por Donald Trump. Na convenção deste domingo, ele criticou os ataques da família Bolsonaro às urnas eletrônicas e ironizou a presença do presidente argentino Javier Milei no evento de Flávio Bolsonaro.
Caiado e Renan Santos optam por chapas “puro-sangue”
Ronaldo Caiado (PSD) escolheu o presidente de seu próprio partido, Gilberto Kassab, como vice. A dupla também mira as eleições para o Congresso: a avaliação interna é que a chapa oferece um palanque neutro para candidatos que querem evitar a polarização nacional. No discurso de lançamento, em 26 de julho, Caiado creditou Kassab pela viabilização da candidatura — “eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab” — e enquadrou a dupla como alternativa aos “maiores rejeitados da política nacional”. Ao ser oficializado, Kassab disse que a candidatura é uma alternativa a um sistema político “contaminado”.
Já o Missão fechou chapa com Renan Santos na cabeça de chapa e Aroldo Medina como vice, sem coligação com outra legenda. Medina é militar da reserva, jornalista e editor especializado em história militar, e acumula candidaturas frustradas por quatro partidos diferentes desde 2002.
Flávio e Zema esbarram na neutralidade de partidos aliados
A indefinição nas chapas de Flávio e Zema se arrasta desde o início das convenções, em 20 de julho, quando os dois candidatos já haviam chegado ao período sem vice definido. Na campanha de Flávio Bolsonaro, a busca é orientada por atrair o voto das mulheres, que somam 52,8% do eleitorado.
O candidato do PL se reuniu na semana passada com a líder do PP no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), que sinalizou aceitar a vaga, mas foi barrada pela sigla, que decidiu manter neutralidade na eleição nacional. Nos bastidores, também são especulados os nomes de Daniela Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro, e da deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP) — ambos os partidos, porém, tendem a preservar alianças estaduais e ficar fora da disputa presidencial.
Romeu Zema também não teve sucesso nas tentativas de compor chapa. O ex-governador de Minas Gerais chegou a elogiar o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa e tentou atrair o empresário Geraldo Rufino, do Podemos, que acabou confirmado como candidato ao Senado por São Paulo. Segundo fontes do Novo, que só havia oficializado a candidatura de Zema à Presidência na última segunda-feira (27), a tendência agora é que o candidato tenha um vice do próprio partido, montando uma chapa puro-sangue.