Economia

Senado dos EUA aprova projeto que pode gerar novas tarifas ao Brasil

Rússia responde por 60% do diesel importado pelo Brasil, alvo do novo projeto tarifário dos EUA
Retrato de Trump ao lado das bandeiras do Brasil e dos EUA, simbolizando as tarifas EUA petróleo russo

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7), por ampla maioria, um projeto que autoriza o presidente Donald Trump a taxar países compradores de petróleo russo, categoria que inclui o Brasil.

A proposta prevê tarifas de até 500% sobre produtos da Rússia e de até 100% sobre países como o Brasil, que importa cerca de 60% do diesel que consome da própria Rússia.

Como funciona a nova ameaça tarifária

O texto aprovado pelo Senado americano autoriza tarifas de até 500% sobre importações provenientes da própria Rússia, incluindo petróleo e gás. Mas o dispositivo que acende o alerta no Brasil é outro: uma tarifa de até 100% sobre produtos de países classificados como grandes compradores de combustíveis russos.

O Brasil não é citado nominalmente na proposta, mas se enquadra no critério com folga. Desde o início da guerra na Ucrânia, o país tornou-se um dos maiores compradores de diesel russo do mundo, e a Rússia hoje responde por cerca de 60% das importações brasileiras do combustível.

Sanções mais amplas e novo prazo no Congresso

Além das tarifas, o projeto amplia sanções contra autoridades russas, oligarcas, instituições financeiras e a chamada “frota fantasma”, usada para driblar restrições às exportações de petróleo. Se virar lei, o próprio presidente Vladimir Putin pode ser incluído na lista de sancionados.

A proposta agora segue para a Câmara dos Representantes. Como o Congresso americano está em recesso de verão, a análise só deve começar a partir de setembro — o que dá um intervalo para que o governo brasileiro avalie os próximos passos.

A senadora democrata Jeanne Shaheen, uma das defensoras do texto, afirmou que a medida “atinge com muita força os setores energético e financeiro da Rússia”, argumento central usado pelos apoiadores do projeto para justificar o corte nas receitas de Moscou com petróleo e gás.

O projeto leva o nome do senador republicano Lindsey Graham, morto em 11 de julho após mais de um ano articulando a proposta. Pouco antes de morrer, ele havia anunciado um acordo com a Casa Branca sobre uma versão revisada do texto.

A Embaixada da Rússia nos Estados Unidos criticou a iniciativa, afirmando que ela “prejudica a atual administração americana”. Já na Europa, a repercussão foi oposta: a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou a aprovação no Senado americano, dias depois de a União Europeia fechar uma nova rodada de sanções contra Moscou. “Juntos, vamos eliminar as fontes de financiamento da Rússia para que ela não possa continuar uma guerra que não pode vencer”, escreveu a dirigente europeia.

Para o Brasil, a proposta soma-se a um histórico recente de atritos comerciais com Washington. O país já acumula as maiores altas de tarifas entre os principais parceiros comerciais dos EUA sob o governo Trump, enquanto 25 estados americanos ainda contestam na Justiça as tarifas já impostas ao país. Agora, a compra de diesel russo pode abrir mais uma frente de pressão comercial contra o governo brasileiro.

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