Economia

Brasil se torna o país mais afetado por tarifas dos EUA sob Trump

Salto de mais de 13 pontos percentuais coloca país à frente de China, Japão e Coreia do Sul
Trump ao lado da bandeira do Brasil simboliza as tarifas dos EUA contra Brasil impostas pelo governo americano

O Brasil se tornou nesta quinta-feira (16/7) o país que mais viu suas tarifas subirem nos Estados Unidos desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, à frente das outras 29 nações que mais exportam para o mercado americano.

A tarifa efetiva média cobrada pelos EUA sobre produtos brasileiros salta de 1,19%, em janeiro de 2025, para 14,42% no fim de julho — alta de mais de 13 pontos percentuais, segundo dados do Global Trade Alert (GTA) obtidos com exclusividade pela BBC News Brasil.

Nenhum outro entre os 30 maiores parceiros comerciais dos EUA teve salto tão grande no período, superando Coreia do Sul, Tailândia, Japão e China.

Como a tarifa efetiva ultrapassou a de outros países

Antes do anúncio desta semana, o Brasil ocupava a 13ª posição entre os países com maior tarifa efetiva média nos EUA. Com o novo tarifaço, o país ultrapassou Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália, ficando atrás apenas da China, cuja tarifa efetiva chegará a 21,5%.

A diferença entre a alíquota nominal de 25% anunciada pela Casa Branca e a tarifa efetiva de 14,42% se explica pela lista de mais de 2 mil produtos isentos ou com alíquota reduzida, entre eles mel orgânico, ferro-gusa e café solúvel sem sabor. Na véspera da decisão final, o USTR chegou a cogitar uma sobretaxa combinada de até 37,5% sobre produtos brasileiros, somando a Seção 301 a uma investigação separada sobre trabalho forçado — patamar acima do que acabou sendo confirmado.

Segundo o GTA, apenas um quarto dos produtos brasileiros pagará a tarifa máxima de 25%. Dos US$ 39,6 bilhões exportados pelo Brasil aos EUA em 2024, cerca de US$ 8,5 bilhões estão sujeitos à alíquota mais alta — em geral, itens manufaturados específicos.

Para o professor Rodrigo Zeidan, da New York University Shanghai e da Fundação Dom Cabral, o impacto será desigual. “A lista é longa, não vai ser 25% em tudo”, disse à BBC News Brasil, ressaltando que commodities sofrem menos porque podem ser redirecionadas a outros mercados sem mudança na produção — diferente de máquinas e peças especializadas, com menos compradores alternativos no mundo.

Governo brasileiro promete reciprocidade e recorre à OMC

Em nota, o governo brasileiro classificou o dia 15 de julho como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos e afirmou que vai acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia sinalizado a possibilidade de retomar o processo de reciprocidade caso os EUA confirmassem o tarifaço. “Uma vez consultado o presidente Lula, é provável que a gente retome o processo de reciprocidade, dentro de um cenário de avaliação cautelosa”, afirmou a jornalistas.

A nova tarifa passa a valer dias antes do fim de outra sobretaxa de 10% imposta por Trump em fevereiro com base na Seção 122 da Lei de Comércio — medida derrubada pela Justiça em maio, mas que segue valendo até 26 de julho enquanto tramita recurso. Nesse intervalo, entre 22 e 26 de julho, a alíquota efetiva contra o Brasil chegará a 18,17%, segundo Johannes Fritz, diretor do St. Gallen Endowment, que compila os dados do GTA.

Diferentemente da tarifa baseada na IEEPA — considerada ilegal pela Suprema Corte em fevereiro —, a nova cobrança usa a Seção 301, instrumento que resiste mais a contestações judiciais. A medida resulta de investigação aberta em julho de 2024 que mirou práticas comerciais brasileiras, incluindo o sistema Pix, acusado pelos EUA de favorecer um “campeão nacional” em detrimento de concorrentes americanos. A nova tarifa se soma a cobranças já em vigor pela Seção 232, que atingem setores como aço, alumínio, cobre e veículos com alíquotas de até 50%, ampliando ainda mais a exposição tarifária do Brasil aos EUA.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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