O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira uma tarifa adicional de 25% sobre produtos da Índia, em resposta à compra de petróleo russo pelo país.
A tarifa total agora chega a 50%, igualando-se ao Brasil e colocando a Índia entre os países mais taxados pelos EUA.
A decisão, baseada em ordem executiva de 2022, visa pressionar países que mantêm relações comerciais com a Rússia durante a guerra na Ucrânia.
Reação da Índia e justificativa dos EUA
Após o anúncio das novas tarifas, o governo da Índia classificou a medida como “injusta, irracional e sem justificativa”, prometendo adotar “todas as medidas necessárias para proteger seus interesses nacionais”. O comunicado da Casa Branca cita a continuidade da emergência nacional devido à guerra e reforça que as ações da Rússia ainda representam ameaça à segurança dos EUA.
Segundo o texto oficial, a tarifa adicional incidirá principalmente sobre produtos indianos que direta ou indiretamente importem petróleo russo, inclusive via intermediários ou terceiros países, desde que a origem russa seja rastreável. A nova taxa entra em vigor em 27 de agosto, com exceção para bens já em trânsito, que terão até 17 de setembro.
Declarações de Trump
Na semana anterior, Trump já havia alertado sobre possíveis sanções à Índia por compras de energia e equipamentos militares da Rússia. Em publicação no Truth Social, afirmou que a Índia mantém tarifas altas e barreiras comerciais rigorosas, além de comprar a maior parte de seus equipamentos militares e energia da Rússia, assim como a China.
Alerta para o Brasil
A decisão dos EUA serve de alerta ao Brasil, que ainda importa fertilizantes e combustíveis da Rússia. Trump determinou ao Departamento de Comércio dos EUA que avalie outros países que continuam importando energia russa. Caso seja comprovada a importação direta ou indireta, poderá ser aplicada uma tarifa adicional de 25%.
Em julho, senadores brasileiros em Washington alertaram para o risco de o Brasil entrar na lista de países sancionados, devido às relações comerciais com Moscou. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou: “Há outra crise pior que pode nos atingir em 90 dias”. Parlamentares americanos, segundo a comitiva, defendem sanções automáticas a todos que negociam com a Rússia, pois consideram que tais negócios contribuem para a continuidade do conflito na Ucrânia.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reforçou: “Eles estão preocupados em acabar com a guerra [com a Ucrânia], e eles acham que quem compra da Rússia dá munição para a guerra continuar”.