O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida que passa a valer a partir de 1º de agosto de 2025.
A decisão coloca o Brasil no topo da lista de países notificados, superando parceiros como México e União Europeia, que receberam taxas de 30%.
O governo brasileiro e entidades do setor produtivo manifestaram preocupação, classificando a medida como política e punitiva.
Tarifa de 50 por cento ao Brasil e justificativas políticas
A tarifa de 50% anunciada por Trump na quarta-feira (9) é a mais alta entre as novas taxas impostas a parceiros comerciais dos EUA. O envio de cartas começou na segunda-feira, informando os percentuais para cada país caso não firmem acordo comercial. O anúncio de 30% para México e União Europeia foi feito no sábado.
Na carta enviada ao presidente Lula, Trump citou o julgamento de Jair Bolsonaro no STF como “vergonha internacional” e alegou ataques do Brasil a eleições livres e à liberdade de expressão nos EUA. O documento também acusa o STF brasileiro de emitir ordens de censura a plataformas de mídia social americanas, ameaçando-as com multas e expulsão do mercado nacional. Segundo Trump, a tarifa de 50% será aplicada sobre todas as exportações brasileiras, além das tarifas setoriais já existentes. Produtos como aço e alumínio já enfrentam taxas elevadas, impactando a siderurgia nacional.
Lista de países notificados
Entre os países notificados, o Brasil lidera com 50%, seguido por Laos e Myanmar (40%), Camboja e Tailândia (36%), Bangladesh, Canadá e Sérvia (35%), Indonésia (32%) e um grupo de países com 30%, incluindo México e União Europeia. Veja a lista completa no final da matéria.
Déficit comercial e reações
Trump justificou a medida alegando relação comercial “injusta” e déficits insustentáveis dos EUA com o Brasil. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento apontam que o Brasil registra déficits comerciais com os EUA há 16 anos, acumulando US$ 90,28 bilhões negativos até junho de 2025.
Repercussão e possíveis retaliações
Especialistas e entidades brasileiras classificaram a decisão como política e punitiva. O economista Paul Krugman afirmou: “Não seria a primeira vez que os Estados Unidos usam a política tarifária para fins políticos”. A Confederação Nacional da Indústria destacou que não há justificativa econômica para a medida e alertou para ameaça a empregos.
O presidente Lula declarou que qualquer elevação unilateral de tarifas será respondida conforme a Lei brasileira de Reciprocidade Econômica. Analistas avaliam que o Brasil pode buscar redirecionar parte das exportações para outros mercados, mas enfrentará desafios setoriais.
Impacto regional e reação popular
Estados exportadores, como São Paulo, devem ser os mais afetados. Há risco de impacto também para Estados importadores, seja por eventuais retaliações brasileiras ou pela alta do dólar.
Nas redes sociais, brasileiros criticaram a medida, invadindo perfis ligados a Trump e à primeira-dama Melania, pedindo respeito à soberania nacional.
Lista completa de tarifas anunciadas
1. Brasil: 50%
2. Laos: 40%
3. Myanmar: 40%
4. Camboja: 36%
5. Tailândia: 36%
6. Bangladesh: 35%
7. Canadá: 35%
8. Sérvia: 35%
9. Indonésia: 32%
10. África do Sul: 30%
11. Argélia: 30%
12. Bósnia e Herzegovina: 30%
13. Iraque: 30%
14. Líbia: 30%
15. México: 30%
16. Sri Lanka: 30%
17. União Europeia: 30%
18. Brunei: 25%
19. Cazaquistão: 25%
20. Coreia do Sul: 25%
21. Japão: 25%
22. Malásia: 25%
23. Moldávia: 25%
24. Tunísia: 25%
25. Filipinas: 20%