Política

ANPD abre processo contra Discord por morte de adolescente de 13 anos

Empresa tem cinco dias úteis para explicar à agência como protege menores na plataforma
ANPD abre processo contra Discord: logomarca da agência em destaque sobre imagem de adolescentes ao ar livre

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu nesta sexta-feira (7) um processo de fiscalização contra o Discord para apurar falhas da plataforma na proteção de crianças e adolescentes.

A medida foi motivada pela morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí (MS), que teria sido coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no aplicativo.

A ANPD investiga se o Discord cumpriu as regras do ECA Digital, em vigor desde março de 2026, e pode aplicar multa de até R$ 50 milhões por infração.

O que a ANPD vai apurar

Entre os pontos investigados estão possíveis falhas na prevenção à exposição de menores a conteúdos que incentivem a automutilação e o suicídio. A agência também quer saber se o Discord tem mecanismos eficazes de verificação de idade e se cumpriu as regras para retirar conteúdo ilegal e notificar autoridades sobre casos graves.

O Discord terá cinco dias úteis para apresentar à ANPD informações sobre os mecanismos de proteção existentes na plataforma. Se forem constatadas irregularidades, a agência pode determinar mudanças nas práticas da empresa e aplicar multa de até R$ 50 milhões por infração, conforme o ECA Digital.

A investigação da ANPD parte do caso que ganhou repercussão nacional quando a Polícia Civil deflagrou operação em cinco estados contra suspeitos de coagir a adolescente de Naviraí a se suicidar durante uma live no Discord. Durante os mandados, foram encontrados materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil.

AGU cobra plano de segurança até segunda

Além da fiscalização da ANPD, representantes do Discord se reuniram nesta sexta-feira com a Advocacia-Geral da União (AGU) para discutir adequações às normas brasileiras. A empresa se comprometeu a apresentar, até segunda-feira (10), um plano de medidas para ampliar a proteção de mulheres, crianças, adolescentes e animais na plataforma.

Na reunião, o Discord também assumiu obrigações ligadas ao dever de cuidado, que exige das plataformas ações para reduzir riscos aos usuários. Segundo apuração da GloboNews, integrantes da AGU consideraram o encontro produtivo.

A pressão sobre a empresa já vinha crescendo: um dia antes, a primeira-dama Janja cobrou publicamente o bloqueio do Discord no Brasil, enquanto o advogado-geral da União anunciava que prepararia ação contra a plataforma. A atuação da ANPD ocorre de forma complementar à da Polícia Civil e do Ciberlab, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que também investigam o caso.