O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu nesta quinta-feira (6) preocupação com o crescimento da dívida pública brasileira, que já avançou mais de dez pontos percentuais desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista exclusiva à GloboNews, o ministro disse que o governo pretende, se Lula for reeleito, reduzir benefícios fiscais e reforçar o controle de gastos para melhorar o perfil das contas públicas.
Dificuldade na rolagem da dívida
Durigan negou que exista um cenário de descontrole fiscal, citando o cumprimento das metas propostas pelo governo nos últimos anos. Ainda assim, reconheceu que há dificuldade na chamada rolagem da dívida pública — a emissão de novos títulos para pagar os que estão vencendo.
Segundo o ministro, o Tesouro Nacional tem enfrentado resistência para colocar no mercado papéis com juros reais de até 8% ao ano, patamar considerado elevado por analistas. A avaliação é que o aumento dos gastos públicos e o nível de endividamento do país elevam a desconfiança dos investidores. Como mostrou o Tropiquim, a dívida pública fechou junho em 81,9% do PIB, o maior patamar em mais de cinco anos, com avanço de seis pontos percentuais só no atual mandato de Lula.
Durigan afirmou que o comportamento fiscal do país influencia diretamente o patamar da taxa de juros, hoje em 14% ao ano — a maior taxa de juros real do mundo, segundo levantamento da consultoria MoneYou. Ele ponderou, porém, que fatores externos, como conflitos militares e a alta de juros nos Estados Unidos, também pressionam os juros de longo prazo no Brasil.
Compromisso para reduzir os juros
O ministro afirmou que o governo fará “todo o possível do ponto de vista fiscal” para endereçar a questão dos juros altos nos próximos anos, caso Lula seja reeleito. “Juro machuca muito a economia, não só o governo”, declarou.
A fala reforça um discurso que Durigan já vinha adotando nas últimas semanas. Menos de duas semanas atrás, ele havia projetado a estabilização da dívida pública entre 2029 e 2030 e prometido superávit de 0,5% no ano seguinte — metas que soam mais distantes diante das dificuldades de rolagem agora reconhecidas pelo próprio ministro.
O discurso de controle de gastos e redução de benefícios fiscais também sinaliza a estratégia econômica que a equipe de Durigan pretende apresentar ao eleitorado nas eleições de 2026, num momento em que o mercado financeiro observa de perto a trajetória fiscal do país para precificar o custo da dívida.