Economia

Fazenda quer taxar lucros, cortar subsídios e revisar programas sociais

Durigan defende retomada da tributação de dividendos e enxugamento de R$ 600 bilhões em benefícios fiscais para o próximo ciclo
Durigan com plenário da Câmara ao fundo: tributação de lucros e dividendos no Brasil em debate

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou os pilares de uma agenda fiscal para os próximos anos: tributar mais os ricos, eliminar benefícios fiscais de setores privilegiados e revisar programas sociais com registros de fraude e duplicidade.

As propostas incluem a retomada da taxação sobre lucros e dividendos — extinta em 1995 — e o corte dos chamados “gastos tributários”, estimados pela Receita Federal em mais de R$ 600 bilhões anuais.

Tributar renda, não consumo

O Brasil tributa o consumo a uma das alíquotas mais altas do planeta — penalizando os mais pobres — enquanto mantém a carga sobre a renda historicamente baixa em comparação com países desenvolvidos. A reforma tributária não corrigiu esse desequilíbrio.

Para Durigan, o caminho é aproximar o sistema do modelo adotado pelas economias avançadas, reintroduzindo a tributação sobre lucros e dividendos — mecanismo extinto no país em 1995.

Estimativas de analistas indicam que a medida poderia gerar mais de R$ 100 bilhões por ano, dependendo da forma de implementação. Em paralelo, o ministro defende reduzir o imposto de renda das empresas e aliviar a carga tributária sobre o consumo — um reequilíbrio que tornaria o sistema mais progressivo.

Cortar subsídios bilionários

Outro pilar da agenda é reduzir os “gastos tributários” — benefícios concedidos a setores específicos por isenções fiscais. A Receita Federal estima esses subsídios em mais de R$ 600 bilhões anuais. Em junho, Durigan já alertava que isenções como a imunidade fiscal de igrejas ao tributo sobre consumo redistribuem o custo para todos os contribuintes.

A proposta de taxar dividendos também tem precedente político: Jair Bolsonaro e Paulo Guedes chegaram a aprovar o texto na Câmara dos Deputados em 2021, mas a matéria nunca foi pautada no Senado Federal.

Revisão dos programas sociais

Durigan também vê com “bons olhos” a consolidação dos programas sociais, proposta já defendida por seu antecessor Fernando Haddad. Estudo indicou que os principais benefícios devem custar cerca de R$ 550 bilhões em 2026, com registros de duplicidades e fraudes no sistema.

A diretriz de conter despesas obrigatórias já aparecia nas falas do ministro semanas antes, quando ele ameaçou vetar R$ 111 bilhões em pautas-bomba no Congresso — postura que agora se articula com a revisão dos gastos sociais.

Agenda para o próximo governo

Sobre propostas mais estruturais — como desindexar o salário-mínimo dos gastos previdenciários ou os pisos constitucionais de saúde e educação das receitas —, Durigan foi cauteloso. Para ele, esse é um debate reservado ao governo que assumir em 2027.

Apesar de delinear uma agenda fiscal densa, o ministro afirmou não ter sido procurado pela campanha de reeleição do presidente Lula, embora mantenha diálogo com José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo petista.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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