O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (15) uma revisão na metodologia de cálculo da inflação no Brasil, afirmando que itens defasados na cesta do índice distorcem a leitura da alta de preços no país.
Em entrevista ao podcast da Warren Investimentos, gravada na última sexta-feira (12), o ministro também ameaçou vetar propostas do Congresso com impacto fiscal de R$ 111 bilhões por ano — e sinalizou que o governo pode acionar o STF caso as medidas sejam aprovadas.
Na entrevista, Durigan afirmou que o modelo atual de medição da inflação dá mais peso a itens que perderam relevância ao longo dos anos, enquanto produtos e serviços que ganharam espaço no consumo das famílias têm menor representação no índice. O ministro sinalizou abertura ao debate sobre ajustes, sem propor uma mudança imediata.
Focus e meta de inflação
Durigan também defendeu aprimoramentos no boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que reúne projeções do mercado financeiro para inflação, juros e atividade econômica. Para o ministro, a pesquisa precisa ganhar mais transparência.
Sobre a meta de inflação, atualmente fixada em 3%, foi categórico: não pretende alterá-la. Mas reconheceu que o modelo de meta contínua — em que o alvo vale o tempo todo, sem período de apuração específico — ainda é mal compreendido por economistas e pela sociedade.
Ao abordar os juros elevados, Durigan apontou as oscilações do dólar e o baixo nível de poupança da economia brasileira como fatores que pesam sobre a política monetária. Reconheceu também que o equilíbrio fiscal influencia diretamente a taxa de juros e defendeu conter o avanço das despesas obrigatórias para abrir espaço a investimentos produtivos.
Pautas-bomba no Congresso
A postura mais firme de Durigan foi reservada para o Congresso Nacional. A equipe econômica calcula que as propostas em tramitação somam um custo extra de R$ 111 bilhões por ano — uma conta que inclui a renegociação de dívidas rurais, a elevação do teto do Simples Nacional e o aumento de pisos salariais de diversas categorias profissionais.
O ministro afirmou que o governo insistirá nas negociações para barrar essas medidas. Se aprovadas, prometeu vetá-las e, se necessário, acionar o Supremo Tribunal Federal.
A preocupação com pautas-bomba não é nova: dias antes, Durigan já alertava que propostas como a imunidade tributária de igrejas e a renegociação de dívidas rurais poderiam tornar o Brasil “ingovernável” — exatamente as medidas que agora ele ameaça vetar e levar ao STF.
O debate sobre a revisão da metodologia da inflação ganha peso num contexto em que a própria Fazenda elevou sua projeção para 4,5% em 2026 — no teto da meta —, pressionada pelo choque externo do petróleo.
