Meio ambiente

NOAA aponta 81% de chance de El Niño muito forte até dezembro de 2026

Fenômeno pode entrar para a lista dos maiores registros desde 1950 e ameaça ampliar extremos de calor e seca no Brasil
Anomalias térmicas do El Niño muito forte 2026 NOAA em vermelho ameaçando Brasil com extremos de chuva e seca

O El Niño ganhou força e a agência climática norte-americana NOAA projeta 81% de chance de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026 — podendo figurar entre os maiores episódios registrados desde 1950.

A probabilidade de o fenômeno persistir até o início de 2027 chegou a 97%, segundo o boletim divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à NOAA.

No Brasil, os efeitos esperados incluem mais chuva no Sul e tempo mais seco e quente no Norte e no Nordeste. Eventos intensos elevam o risco de extremos climáticos em todo o país.

Aquecimento do Pacífico acelera além do esperado

O índice Niño-3.4, principal indicador de monitoramento do El Niño, chegou a +1,2°C na última medição semanal — ante apenas +0,4°C registrados em maio, ainda dentro do cenário de neutralidade. Outras regiões do Pacífico, mais próximas da América do Sul, já marcam +2,7°C acima da média.

Em junho, quando o índice Niño-3.4 ainda estava em 0,7°C e o fenômeno começava a se formar, o Inmet já havia emitido alerta sobre o aquecimento acelerado do Pacífico — o salto para o valor atual mostra como o cenário escalou rapidamente nos últimos meses. Leia o alerta do Inmet sobre o aquecimento do Pacífico.

Uma onda Kelvin — movimento de água quente que percorre o Pacífico — impulsionou o calor acumulado abaixo da superfície oceânica, criando condições para a intensificação do fenômeno ao longo dos próximos meses.

Acoplamento oceano-atmosfera confirma sistema em fortalecimento

Para que episódios de El Niño atinjam categorias extremas, não basta o aquecimento do oceano: é preciso que as mudanças na temperatura da água se traduzam em alterações consistentes nos ventos e nos padrões de chuva — o chamado acoplamento oceano-atmosfera. A NOAA confirmou que esses sinais estão em curso.

Nas últimas semanas, foram registradas mudanças nos ventos em diferentes níveis da atmosfera, aumento das chuvas sobre o Pacífico central e redução da formação de nuvens sobre a Indonésia — conjunto de fatores que levou os especialistas a concluir que o sistema está respondendo ao aquecimento oceânico de forma consistente.

O novo El Niño chega em um planeta com os mares mais quentes já registrados: em junho, os oceanos atingiram 21°C — recorde histórico para o período, segundo o Copernicus — criando uma base ainda mais propícia para um evento de grande intensidade. Veja como os oceanos atingiram temperatura recorde em junho.

Efeitos no Brasil e na produção agrícola

Historicamente, o El Niño favorece chuvas acima da média no Sul do Brasil e um clima mais seco e quente nas regiões Norte e Nordeste. Quanto maior a intensidade do fenômeno, maior o risco de extremos — enchentes no Sul e secas prolongadas em outras partes do país.

Para o agronegócio, as perspectivas são divididas: enquanto a Oxford Economics apontou que o Brasil pode se beneficiar das chuvas no Sul para a produção de milho e soja, o Norte e o Nordeste tendem a enfrentar o cenário oposto, com seca e calor acima do normal. Confira a análise sobre o impacto do El Niño no agronegócio brasileiro.

O fenômeno também pressiona a temperatura global. Em um planeta já aquecido pelas mudanças climáticas, episódios intensos de El Niño ampliam a chance de novos recordes de calor. O episódio de 2023–2024, um dos mais fortes já observados, esteve associado a uma sequência de marcas históricas de temperatura global.

O El Niño faz parte do ciclo natural conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que alterna fases de aquecimento, esfriamento e neutralidade no Pacífico equatorial. A diferença atual é que esses ciclos ocorrem sobre uma base climática mais quente — o que pode amplificar os impactos em chuva, seca e calor nos meses à frente.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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