Política

Zema é oficializado candidato à Presidência pelo Partido Novo

Em discurso de lançamento, ex-governador de Minas ataca Lula, critica o STF e promete 'choque' na segurança pública
Zema candidato à Presidência 2026 discursa ao microfone em lançamento que critica o STF

O Partido Novo oficializou, em 27 de julho, a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República em 2026. O anúncio ocorreu em Brasília, após convenção nacional realizada de forma virtual, com a presença do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro.

No discurso, Zema apresentou sua gestão em Minas Gerais como prova de que reúne as credenciais necessárias para o cargo e prometeu um choque na segurança pública caso seja eleito.

Zema mira Lula e o STF em discurso de lançamento

Ao apresentar sua candidatura, Zema classificou o atual governo como incapaz de tocar “nenhum plano de futuro” e voltou a atacar o Partido dos Trabalhadores, citando episódios como o mensalão, o petrolão e, mais recentemente, o caso do Banco Master. Ele também criticou o Supremo Tribunal Federal, mencionando “aberrações” da Corte e o processo movido contra ele pelo ministro Gilmar Mendes.

O ex-governador negou qualquer proximidade com o banqueiro alvo do escândalo citado no discurso, apesar de morarem na mesma cidade, e afirmou nunca ter recebido pedido de audiência dele. Segundo Zema, a diferença entre ele e outros políticos é não ter “rabo preso” com parentes ou aliados envolvidos em irregularidades — um contraponto direto às acusações que cercam a cúpula do STF.

A cobertura do evento por veículos que acompanharam a convenção aponta uma ausência notável: diferentemente de declarações recentes, Zema evitou qualquer crítica direta a Flávio Bolsonaro, hoje seu principal concorrente à direita na corrida presidencial.

Promessas de 2022 sob checagem

No discurso, Zema citou a atração de mais de R$ 530 bilhões em investimentos privados e a criação de 1 milhão de empregos formais em Minas Gerais como provas de sua capacidade de gestão, além de dados do IBGE que apontariam uma inversão no fluxo migratório do estado. Ele também defendeu o modelo de segurança adotado por El Salvador, com prisão em massa e enquadramento de facções como organizações terroristas, citando uma redução de 99% nos homicídios no país centro-americano.

Nem todo o histórico à frente do governo mineiro resiste, porém, à checagem: levantamento do g1, já reproduzido pelo Tropiquim, mostra que Zema e seu sucessor, Mateus Simões, cumpriram apenas quatro das doze promessas de campanha feitas em 2022 — um dado que contrasta com o discurso de legado bem-sucedido apresentado na convenção.

Zema também aproveitou o palanque para projetar força eleitoral do Partido Novo, que ampliou significativamente sua bancada de vereadores e prefeitos nas eleições municipais de 2024, sobretudo em Minas Gerais, e disse esperar eleger um número recorde de deputados estaduais, federais e senadores em 2026.

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