Política

Zema é oficializado candidato à Presidência pelo Novo

Ex-governador mineiro promete presídio na Amazônia e classificar facções como terroristas
Zema candidato à Presidência pelo Novo discursa com a Amazônia ao fundo, promessa de presídio na região.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema foi oficializado nesta segunda-feira (27) como candidato do Partido Novo à Presidência da República, em convenção nacional virtual seguida de coletiva em Brasília, ao lado do presidente da sigla, Eduardo Ribeiro.

Em seu primeiro discurso como presidenciável, Zema mirou o presidente Lula e o PT, criticou ministros do Supremo Tribunal Federal e prometeu endurecer o combate ao crime organizado, incluindo um presídio na Amazônia para líderes de facções.

Zema evita confronto com Flávio e mira caso Master

Diferentemente do tom mais agressivo adotado nos últimos meses, Zema não fez críticas diretas a Flávio Bolsonaro, seu principal adversário na corrida presidencial. A postura contrasta com declarações recentes, quando o candidato do Novo explorou a proximidade do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, instituição liquidada e suspeita de operar um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Apesar de poupar o rival direto, Zema citou outros políticos e autoridades associados ao caso Master, além dos descontos indevidos aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas do INSS — temas que devem seguir na pauta da campanha.

Presídio na Amazônia e reforma no STF

Na área de segurança pública, Zema prometeu classificar facções criminosas como organizações terroristas e defendeu a construção de um presídio na Amazônia para deter lideranças do crime organizado. Segundo ele, há regiões do país onde o Estado perdeu espaço para grupos criminosos, o que configura uma ameaça à soberania nacional — cenário que, na avaliação do candidato, justificaria a chamada “prisão em massa” de integrantes de facções.

Sobre o Judiciário, Zema revelou ser alvo de um processo movido pelo ministro Gilmar Mendes e intensificou as críticas ao Supremo, chegando a classificar o ex-presidente da Corte Joaquim Barbosa como o “oposto” dos atuais integrantes. O candidato defendeu ainda idade mínima de 60 anos para nomeação de ministros, indicação por lista tríplice e o fim das decisões monocráticas.

Romeu Zema foi anunciado candidato sem uma dupla definida para vice: o nome deve ser revelado até 5 de agosto, prazo legal, e terá como pré-requisito a ficha limpa. No discurso, o ex-governador reforçou sua trajetória como empresário no setor privado e se apresentou como o único presidenciável que conhece o “Brasil real”.

As promessas na área de segurança não são inéditas: dias antes, no 10º Encontro Nacional do Novo, Zema já havia prometido enquadrar facções como organizações terroristas e defendido o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

O endurecimento do discurso contra o Supremo também vem de um processo gradual: semanas antes, Zema já havia criticado publicamente Moraes ao defender o direito de Jair Bolsonaro trocar cartas durante a prisão domiciliar.

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