Política

Brasil avalia recorrer à OMC contra veto da UE à carne bovina

Itamaraty aponta motivação política por trás da exclusão do país da lista de exportadores europeus
Carne bovina em destaque com bandeira da UE ao fundo, tema do caso Brasil OMC veto carne bovina.

O governo brasileiro avalia acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a decisão da União Europeia de suspender as importações de carne bovina, de frango e de outros produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro.

A medida, oficializada pelo bloco europeu em junho, exclui o país da lista de exportadores autorizados sob a justificativa de que o Brasil não comprovou o cumprimento das regras europeias sobre uso de antimicrobianos na produção animal.

Motivação política sob suspeita

O Ministério das Relações Exteriores afirma identificar uma dimensão política na exclusão do Brasil da lista de exportadores. Segundo o Itamaraty, setores europeus historicamente contrários ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia passaram a defender a assinatura do pacto justamente após a medida, o que reforça a leitura de que a decisão vai além de critérios técnicos.

As perdas estimadas pelo governo chegam a US$ 2,4 bilhões por ano, o equivalente a cerca de R$ 12,3 bilhões pela cotação atual do dólar. O impacto atinge carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel — produtos que constavam na lista de autorização de 2024 e que agora ficam de fora.

Enquanto o Brasil é barrado, Argentina, Paraguai e Uruguai, parceiros do Mercosul, seguem autorizados a exportar para o bloco europeu, o que alimenta a percepção de tratamento desigual dentro do próprio acordo regional.

Setor produtivo corre contra o tempo

Desde a decisão europeia, o Ministério da Agricultura e representantes do setor privado buscam soluções técnicas para atender às exigências do bloco, incluindo a realização de visitas presenciais de auditores europeus aos criadouros brasileiros. O impasse não surgiu do nada: o setor produtivo já havia sido alertado sobre a exigência de controles em 2023, mas o protocolo de certificação só foi homologado pelo Mapa em maio de 2026.

O impacto financeiro já tem números setoriais: a Abiec projeta perda de US$ 504 milhões só em carne bovina até o fim do ano, além de prejuízos estimados para os setores de mel e pescado.

Dias antes, a própria União Europeia já havia rejeitado a tese de motivação política, classificando a exclusão do Brasil como uma decisão puramente técnica, o que amplia o contraste entre as versões apresentadas por Brasília e Bruxelas.

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