A Noruega vai suspender, a partir de 3 de setembro, a compra de produtos de origem animal do Brasil. A decisão foi anunciada pela Mattilsynet, Autoridade Norueguesa de Segurança Alimentar.
O país nórdico não faz parte da União Europeia, mas segue a decisão tomada pelo bloco em maio, quando o Brasil foi excluído da lista de exportadores autorizados por falhas no controle de antimicrobianos usados na pecuária.
Participação pequena, mas decisão simbólica
Apesar do impacto concreto ser limitado, o gesto da Noruega reforça o isolamento do Brasil no mercado europeu de carnes. Segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, o país nórdico responde por menos de 1% das exportações brasileiras de carne bovina, tanto em volume quanto em valor.
A origem do veto remonta a maio, quando a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar para o bloco. Segundo a Comissão Europeia, a medida não decorre de irregularidades encontradas na carne brasileira, mas da avaliação de que o país não fiscaliza de forma suficiente o uso de antimicrobianos na pecuária — substâncias empregadas para tratar e prevenir infecções em animais, e que também podem atuar como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia. Para entender o histórico completo, veja a decisão que excluiu o Brasil da lista de exportadores da UE.
Setor vê protecionismo por trás da decisão europeia
Representantes do agronegócio brasileiro classificam a exclusão como um movimento protecionista, já que o anúncio da UE ocorreu dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul. O tratado enfrentou forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos — sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia.
Enquanto o prazo de 3 de setembro se aproxima, o governo brasileiro tenta reverter a situação. Em julho, o Ministério da Agricultura alterou as regras de exportação de carnes, com exigência de rastreabilidade completa e um protocolo voluntário de certificação para bovinos livres de antimicrobianos. Os demais integrantes do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar tanto para a União Europeia quanto para a Noruega.