O governo federal estima que 47,3% das exportações brasileiras são hoje atingidas por tarifas dos Estados Unidos.
O cálculo soma a tarifa de 12,5% em vigor desde esta sexta-feira (24), a sobretaxa de 25% confirmada na semana passada e o adicional sobre aço e alumínio aplicado desde o ano passado.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), as duas tarifas mais novas já atingem 23,1% dos produtos exportados aos EUA, e 52,7% do total seguem sem sobretaxa adicional.
Como as tarifas se somam
A tarifa de 12,5% foi anunciada nesta quinta-feira (23) e atinge cerca de 60 parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil, sob a justificativa de falha em fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (24).
Já a tarifa adicional de 25% foi confirmada na semana passada, com uma extensa lista de produtos isentos. Juntas, as duas taxas elevam a sobretaxa total sobre parte dos produtos brasileiros para 37,5%.
Há duas semanas, o próprio governo estimava que o tarifaço atingiria apenas 18% das exportações brasileiras — um salto expressivo até o cálculo atual de 47,3%.
Aço e alumínio
A conta do MDIC também inclui a sobretaxa sobre aço e alumínio, elevada de 25% para 50% em junho do ano passado com base na Seção 232, instrumento distinto da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A medida atingiu diretamente o setor siderúrgico de parceiros como Canadá e México, além do Brasil, segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos. Entidades como a Amcham já alertavam que somente a tarifa de 12,5% poderia afetar cerca de 3 mil produtos brasileiros, equivalentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais.
Resposta do Brasil
O governo brasileiro classificou o tarifaço como de caráter completamente arbitrário e injustificado e afirmou que iniciará imediatamente os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade, além de levar o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A Lei de Reciprocidade permite ao Brasil aplicar a outro país as mesmas restrições ou tarifas impostas unilateralmente contra produtos brasileiros, na tentativa de reequilibrar as relações comerciais. Ainda assim, o instrumento prevê um rito legal a ser cumprido antes de qualquer retaliação entrar em vigor.
Entidades empresariais, no entanto, defendem que o Brasil priorize as negociações em vez de retaliar, para evitar uma escalada de tensão com o governo de Donald Trump. O impacto das tarifas já era sentido antes mesmo das novas medidas: levantamento da CNI apontou R$ 13,2 bilhões em exportações perdidas pelo Brasil aos EUA só no primeiro semestre de 2026.
