Antes mesmo da nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos, o Brasil já registrava R$ 13,28 bilhões em exportações perdidas para o país norte-americano em 2025, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O dado é anterior à tarifa confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) nesta quinta-feira (15), válida a partir de 22 de julho, e mostra que o cenário tarifário entre os dois países já era desfavorável ao Brasil.
Queda nas exportações já afetava a maioria dos estados
O levantamento da CNI mostra que 20 das 27 unidades da Federação reduziram as vendas aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período do ano anterior. As exportações totais recuaram 13%, puxadas pela queda de 8,7% nos bens industriais — com destaque para produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera e óleos de petróleo.
Mesmo com a retração, os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, o que amplia a exposição do país à nova rodada de tarifas. A tarifa de 25% é resultado de uma investigação de um ano sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que apontou o Pix, o etanol e o combate à pirataria como práticas brasileiras consideradas desleais pelo governo Trump.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) alertou que a sobretaxa amplia os custos de acesso ao mercado americano e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros. Segundo a entidade, o impacto real vai depender da lista final de produtos atingidos, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento dado a concorrentes de outros países — com risco de substituição de fornecedores, redução de margens e renegociação de contratos.
Impacto pode se estender e pressionar a inflação
Além da tarifa de 25%, o governo americano conduz outra investigação que pode resultar em sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, dentro de uma lista de 60 economias acusadas de não impedir a circulação de bens fabricados com trabalho forçado. Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, a nova tarifa deve atingir 18% das exportações brasileiras aos EUA — US$ 7,4 bilhões —, tornando o Brasil o país mais taxado por Washington, atrás apenas da China.
O governo brasileiro avalia a lista final de produtos afetados antes de decidir entre seguir negociando ou acionar a Lei de Reciprocidade Econômica. Em resposta à sobretaxa, o Palácio do Planalto já sinalizou a criação de um programa de apoio às empresas mais prejudicadas pela tarifa de 25%.
Para o economista Marcelo Bassani, da Boa Brasil Capital, uma eventual retaliação brasileira pode encarecer insumos importados dos EUA, pressionar ainda mais a inflação e manter os juros elevados por mais tempo, já que trocar de fornecedor no curto prazo é difícil. Gabriel Eisner, da Mhydas Planejamento Financeiro, avalia que, mesmo com carne, café e itens aeronáuticos fora da nova rodada, milhares de outros produtos devem subir de preço, com custo dividido entre empresas e consumidores.
