Economia

Ministro classifica tarifaço dos EUA como ilegal e projeta alívio até dezembro

Marcio Elias diz que Brasil negociará e usará reciprocidade contra medida imposta pelos EUA
Lula diante da bandeira dos EUA em disputa sobre o tarifaço dos EUA ilegal imposto por Washington

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias, afirmou nesta quarta-feira (20) que a sobretaxa dos Estados Unidos ao Brasil é “ilegal”, “indevida” e “abusiva”.

Segundo ele, o governo brasileiro espera “aplacar minimamente” os efeitos do tarifaço até dezembro, mas o processo de reciprocidade contra a medida não deve ser concluído até esse prazo.

Negociação e defesa comercial simultâneas

Elias defendeu que o Brasil mantenha as negociações com os Estados Unidos, mesmo diante da barreira comercial imposta pelo tarifaço, e que ao mesmo tempo adote medidas de defesa comercial por meio da Lei da Reciprocidade. Semanas antes, ao defender que a resposta brasileira deve “ferir o adversário, não apenas irritá-lo”, o ministro já sinalizava que qualquer retaliação seria estratégica — postura que agora ganha forma com o prazo aberto aos ministérios.

De acordo com o ministro, os ministérios têm 60 dias para reunir informações sobre os efeitos da sobretaxa e sobre as ações possíveis diante dela. “Nós vamos elaborar um relatório, daqui a provavelmente 60 dias, discriminando, detalhando quais são os aspectos mais relevantes da participação, da medida que foi imposta e quais os efeitos que ela possa reproduzir”, disse Elias.

Segunda vez que ministro classifica tarifa como indevida

A crítica reforça uma posição que o próprio Elias já havia adotado em julho, quando classificou como indevida a tarifa adicional de 12,5% aplicada ao Brasil sob a justificativa de supostas falhas no combate ao trabalho forçado — argumento que o governo brasileiro contesta por considerá-lo baseado em “fatos que não são reais”.

O fórum em que o ministro falou nesta quarta-feira teve como tema a soberania tecnológica e o fortalecimento da indústria nacional, pano de fundo que reforça o discurso do governo de buscar alternativas ao mercado americano enquanto as negociações seguem em curso.