Economia

Alckmin diz que Brasil não sai da mesa de negociação do tarifaço

Vice-presidente reforça diálogo com Washington horas antes de videoconferência entre Brasil e EUA sobre tarifas
Alckmin em postura oficial com bandeira dos EUA ao fundo, representando a negociação tarifaço EUA Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta segunda-feira (31) que o Brasil não vai deixar a mesa de negociação com os Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço de 25% imposto a produtos brasileiros.

A declaração foi feita durante o Macro Day, evento do BTG Pactual em São Paulo, horas antes de uma videoconferência entre Brasil e EUA, marcada após conversa entre Lula e Donald Trump, para tratar do tarifaço.

Diálogo aberto com Washington

Segundo Alckmin, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter as portas abertas para conversar com os Estados Unidos sobre questões tarifárias e não tarifárias. O vice-presidente afirmou que o governo brasileiro está disposto a colocar todos os assuntos na mesa para tentar reduzir o tarifaço.

Entre os temas que podem entrar na pauta está o projeto Redata, que oferece incentivos para a instalação de data centers no país. De acordo com Alckmin, a iniciativa tem potencial para atrair até R$ 1 trilhão em investimentos, aproveitando a matriz de energia renovável brasileira.

EUA seguem como parceiro estratégico

Alckmin reconheceu que a China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil, mas destacou que os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações brasileiras de produtos manufaturados. O país também é o maior investidor estrangeiro no Brasil, com cerca de 4 mil empresas instaladas em território nacional.

O vice-presidente voltou a classificar como injusta a decisão americana de elevar as tarifas sobre produtos brasileiros e lembrou que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral com o Brasil.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,1 bilhões em julho, alta de 1% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o saldo chegou a US$ 49 bilhões, avanço de 31,9% sobre o período anterior.

As exportações brasileiras para os EUA caíram 5% em julho, de US$ 3,8 bilhões para US$ 3,6 bilhões. O governo, porém, evita atribuir a queda ao tarifaço de 25%, já que a taxa entrou em vigor apenas em 29 de julho e ainda não há dados suficientes para medir seu impacto real.

A postura de manter a negociação aberta não é nova. Já em 21 de julho, véspera da entrada em vigor da tarifa de 25%, Alckmin havia garantido que o Brasil negociaria ‘sempre’ com os americanos e descartado qualquer retaliação imediata.