O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta sexta-feira (21) que o Brasil vai priorizar a ampliação da lista de exceções ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, após conversa com o representante do USTR, Jamieson Greer.
O contato ocorreu horas depois de uma ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na qual Lula defendeu a manutenção das negociações como melhor caminho para reduzir o impacto das tarifas sobre a economia dos dois países.
Tarifaço soma 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Trump concordou com a necessidade de preservar as relações comerciais entre os dois países e sugeriu que as equipes técnicas dos governos brasileiro e americano voltem a se reunir o mais rápido possível.
Há pouco mais de um mês, os Estados Unidos aplicaram duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A primeira, de 25%, resultou de uma investigação do governo americano que concluiu que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os americanos — entre os exemplos citados estão o Pix e a regulação de plataformas digitais.
A segunda tarifa, de até 12,5%, decorre de outra investigação, que apontou que o Brasil e outros países não proíbem nem fiscalizam adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, prática considerada desleal pelo governo americano.
Somadas, as duas novas taxas elevaram para 37,5% a alíquota total sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.
Produtos isentos e setores mais afetados
Apesar da sobretaxa, milhares de itens ficaram isentos das cobranças, incluindo produtos relevantes para a economia americana, como petróleo, café e carne bovina. Já setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar foram submetidos à tarifa máxima de 37,5%.
O canal retomado agora com Greer é o mesmo criado após a cúpula Lula-Trump de maio, quando o ministro Rosa anunciou as tratativas formais para contestar a leitura americana de que o Brasil pratica tarifas elevadas.
Pouco antes de as tarifas entrarem em vigor, o próprio Jamieson Greer já havia admitido que Brasil e EUA estavam “distantes de um acordo”, enquanto negociadores brasileiros já pressionavam por um anexo com mais produtos isentos.