Economia

Guerra EUA-Irã encerrou, mas economia ainda paga a conta do conflito

Petróleo segue quase US$ 10 acima do patamar pré-guerra enquanto inflação e juros resistem à normalização no Brasil e nos EUA
Mapa geopolítico mostrando impactos econômicos da guerra EUA-Irã com tráfego marítimo estratégico e barris de petróleo

O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, anunciado nesta semana, encerrou quase quatro meses de conflito no Oriente Médio — mas o rastro econômico deixado pela guerra ainda vai demorar a se dissipar.

O fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde circula 20% do petróleo mundial, fez o barril quase dobrar de preço: de US$ 70 para perto de US$ 120. Com o cessar-fogo, o Brent recuou para US$ 78,33 na quinta-feira (18) — mas segue quase US$ 10 acima do nível pré-conflito.

A onda de choque do petróleo atingiu combustíveis, transportes e alimentos, alimentando a inflação em vários países e forçando bancos centrais a adiar cortes de juros. No Brasil, diesel e gasolina acumularam altas de 23,6% e 8%, respectivamente.

O maior choque petrolífero em décadas

Analistas classificaram o episódio como o maior choque petrolífero já registrado, superando as crises de 1973, 1979 e 2022. A Agência Internacional de Energia (IEA) chegou a realizar a maior liberação emergencial de estoques de sua história para tentar conter as cotações — mas o movimento foi insuficiente para amortecer o impacto sobre consumidores e cadeias produtivas.

Nos Estados Unidos, o galão de gasolina saltou de US$ 2,98 para mais de US$ 4. Em maio, a inflação ao consumidor chegou a 4,2% em 12 meses — o maior patamar em três anos —, e o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano na reunião de quarta-feira (17), adiando mais uma vez o ciclo de cortes esperado pelo mercado. Donald Trump, que prometera reduzir o custo de vida ao assumir o segundo mandato, viu sua aprovação desabar: pesquisas Reuters/Ipsos apontam 63% de desaprovação e apenas 27% de aprovação na área econômica — o pior resultado histórico do instituto.

No Brasil, o governo anunciou um pacote para conter os combustíveis nas bombas, mas não evitou o repasse ao custo do frete e à cesta de consumo. O Boletim Focus de 15 de junho — que pela 14ª semana seguida revisou a projeção de inflação para cima, chegando a 5,30% — é o termômetro mais claro de como a guerra prolongou as incertezas econômicas no país. As expectativas para a Selic também pioraram: o mercado projeta 13,75% ao ano em 2026, alta de 0,25 ponto percentual em relação à semana anterior.

Câmbio e bolsas: fuga do risco e recuperação parcial

No campo financeiro, o conflito provocou o movimento clássico de aversão ao risco. O dólar atingiu R$ 5,3142 em 13 de março — o maior nível do ano —, impulsionado pela incerteza e pela alta do petróleo. À medida que o mercado foi calibrando os impactos reais da guerra, porém, investidores reduziram posições em dólar e migraram para ativos de maior risco, favorecendo o real. No acumulado do ano até quarta-feira (17), o dólar registrava desvalorização de 6,94%, enquanto o Ibovespa avançava 4,38%.

Quando o acordo preliminar foi anunciado, em 15 de junho, bolsas asiáticas e europeias dispararam e o Brent recuou mais de US$ 4 em um único pregão — mas analistas já advertiam que a estabilização dos preços levaria meses. A ressalva se confirma: especialistas alertavam desde o início de junho que a normalização dos mercados de petróleo poderia demorar, e o Brent ainda quase US$ 10 acima do patamar pré-guerra dá razão a esse ceticismo.

FMI e OCDE avaliam que a recuperação dependerá da manutenção da estabilidade no Oriente Médio e da normalização do abastecimento global de energia. Para exportadores de petróleo, o período trouxe ganhos com as cotações elevadas; para os demais setores, o saldo é de custos mais altos, margens comprimidas e um horizonte de normalização ainda incerto.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Haddad defende investigação da PF sobre Wagner: ‘quem errou tem que ser punido’

Trump chama Lula de ‘muito volátil’ e diz que não se importa com ele

Governo torna nota no Enamed obrigatória para médicos exercerem a profissão

Fazenda descarta adiamento do imposto do pecado e garante estabilidade tributária na transição