O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (22) em queda, cotado a R$ 4,9696 — recuo de 0,09% em relação ao pregão anterior. Os mercados brasileiros voltam a operar após o feriado de Tiradentes com cautela geopolítica ditando o tom.
O principal gatilho externo é a prorrogação do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, anunciada pelo presidente Donald Trump na véspera. A trégua se estende enquanto autoridades iranianas não apresentarem uma proposta formal de paz.
Trégua prorrogada, cautela mantida
A extensão do acordo representa um desdobramento do cessar-fogo firmado em 8 de abril, que derrubou o dólar abaixo de R$ 5 e fez o petróleo despencar mais de 15% em um único pregão. Desta vez, porém, a reação dos mercados é mais contida: sem proposta concreta de Teerã, investidores preferem aguardar antes de ampliar posições de risco.
Um elemento adicional de tensão é o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto de toda a oferta global de petróleo. A ameaça de interrupção do fluxo mantém o mercado de energia sob pressão constante.
Bolsas globais operam com desempenho misto
No fechamento anterior, Wall Street encerrou no vermelho. O Dow Jones recuou 0,01%, aos 49.442 pontos; o S&P 500 cedeu 0,22%, aos 7.110 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,26%, aos 24.404 pontos.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,8%. As perdas foram mais intensas em França e Alemanha, onde CAC e DAX recuaram cerca de 1,1%. O FTSE londrino registrou baixa de 0,55%.
A Ásia apresentou cenário oposto. O Hang Seng subiu 0,77%; o SSEC, de Xangai, avançou 0,76%; o Nikkei ganhou 0,6%; e o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 0,44%.
Agenda doméstica: PEC 6×1 e indicadores econômicos
No Brasil, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara pode votar nesta quarta a proposta de emenda à Constituição que altera a escala de trabalho 6×1. O tema reacende o debate sobre o ambiente de negócios e o mercado de trabalho — dois fatores monitorados de perto por investidores institucionais.
Na semana passada, o dólar já recuava a R$ 4,97 com o avanço das conversas em Islamabad, mas as negociações não produziram proposta formal de Teerã, o que explica a persistência da cautela nesta sessão.
O calendário econômico do dia inclui a divulgação do fluxo cambial semanal — indicador que aponta o saldo entre entrada e saída de dólares no país — seguido pelos números da balança comercial, dados que podem influenciar a trajetória do câmbio nas próximas horas e antecipar movimentos do Ibovespa, que abre às 10h.
