Economia

Petróleo cai mais de 10% com expectativa de acordo entre EUA e Irã

Brent recua a US$ 98 e WTI opera abaixo dos US$ 90 enquanto bolsas globais sobem com perspectiva de fim do conflito
Acordo EUA e Irã impulsiona queda no preço de petróleo e estabilidade no Oriente Médio

O petróleo registrou queda superior a 10% nesta terça-feira diante das expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. O barril Brent recuou 11,60%, para cerca de US$ 98 — abaixo do patamar de US$ 100.

O WTI, referência americana, caía 11,93%, cotado a US$ 89,13. No mesmo movimento, bolsas ao redor do mundo avançavam e os juros de títulos públicos recuavam, sinalizando otimismo com a possível redução das tensões na região.

A Reuters informou que os dois países estão próximos de assinar um acordo inicial de uma página. O Irã deve responder aos principais pontos da proposta nas próximas 48 horas.

O que prevê o acordo inicial

O documento preliminar, de apenas uma página, serviria para encerrar formalmente o conflito e abrir um prazo de 30 dias para a negociação de um tratado mais completo. O formato foi antecipado pelo site Axios, com base em fontes do governo americano e pessoas próximas às negociações.

Entre os pontos em discussão estão a suspensão temporária do programa nuclear iraniano e, em contrapartida, a redução das sanções americanas e a liberação de recursos financeiros iranianos bloqueados no exterior. Uma emissora americana informou que Teerã analisa uma proposta dos EUA com 14 pontos.

O Estreito de Ormuz, rota por onde passa grande parte do petróleo mundial, é outro eixo central das negociações. O acordo prevê a redução das restrições à circulação de navios. Durante o prazo de 30 dias, tanto as restrições iranianas quanto o bloqueio naval americano seriam reduzidos gradualmente — com possibilidade de retomada em caso de fracasso das conversas.

O Paquistão continua atuando como intermediário entre os dois lados. O país sediou a única rodada formal de negociações até o momento, no mês passado. Naquela ocasião, o acordo fracassou após 21 horas — episódio que fez o Brent romper os US$ 100 e levou Trump a anunciar o bloqueio naval total ao Estreito de Ormuz.

Histórico de instabilidade e o movimento de Trump

O Estreito de Ormuz enfrenta restrições desde o fim de fevereiro, quando o bloqueio passou a pressionar os preços globais do petróleo e elevar o risco de desabastecimento energético. Qualquer sinal de avanço nas negociações tem, portanto, impacto imediato nas cotações internacionais.

Mais cedo nesta terça, o presidente Donald Trump anunciou a suspensão de uma operação militar que escoltava navios na região. A missão, que não conseguiu restabelecer o fluxo normal de embarcações, acabou escalando as tensões. No episódio mais recente, um navio de uma empresa francesa foi atingido na área, com tripulantes feridos.

A volatilidade do mercado reflete o histórico instável das negociações. Em 19 de abril, o Irã suspendeu as conversas e o WTI disparou 7%, elevando o risco de retomada do conflito antes do vencimento do cessar-fogo. Já em 17 de abril, uma queda de magnitude similar ocorreu quando o Irã anunciou a reabertura do Estreito — mas o alívio durou menos de 24 horas antes de o impasse ser retomado, o que reforça a cautela dos analistas com os movimentos atuais.

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