A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã declarou, via redes sociais e mídia estatal, que o Estreito de Ormuz está liberado para navegação “segura”. O pronunciamento veio nesta quarta-feira, um dia após Donald Trump anunciar a suspensão da “Operação Liberdade”, a ação militar americana na região.
Cerca de 1.500 embarcações aguardam autorização para atravessar o estreito, segundo a imprensa iraniana. O anúncio coincide com relatos de que EUA e Irã estão próximos de um acordo para encerrar formalmente o conflito.
Memorando de paz: termos e prazos
O site americano Axios reportou nesta quarta que os dois países estão próximos de assinar um memorando de uma página para encerrar a guerra. O documento incluiria uma moratória ao enriquecimento de urânio pelo Irã, em contrapartida ao levantamento de sanções econômicas pelos EUA e à liberação de bilhões em ativos iranianos congelados.
Entre os termos previstos, EUA e Irã suspenderiam mutuamente seus bloqueios marítimos em Ormuz — via estratégica que foi palco de confrontos diretos entre as duas marinhas nos últimos dias. Washington espera resposta de Teerã sobre pontos-chave do acordo nas próximas 48 horas, conforme duas autoridades norte-americanas e outras duas fontes ouvidas pelo Axios.
O cessar-fogo atual tem raízes no acordo de 7 de abril, quando o Irã aceitou reabrir o Estreito por duas semanas em troca da suspensão dos ataques americanos — negociação mediada pelo Paquistão, que segue como principal intermediário.
Ao anunciar a pausa na “Operação Liberdade”, Trump disse ter agido após pedidos de Islamabad e destacou um “grande progresso” nas conversas com representantes iranianos. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Muhammad Ishaq Dar, afirmou que o país trabalha para transformar o cessar-fogo vigente em um fim permanente do conflito.
Otimismo com ressalvas na Casa Branca
Apesar do avanço nas negociações, autoridades da Casa Branca permanecem céticas quanto à viabilidade de um acordo preliminar. A principal preocupação é o caráter fragmentado da liderança iraniana: com múltiplas figuras de alto nível disputando influência, alcançar um consenso interno não é trivial.
Outro ponto de atenção são as brechas do próprio memorando que, segundo o Axios, poderiam abrir caminho para a retomada das hostilidades no futuro. Até a última atualização desta reportagem, o governo americano não havia emitido pronunciamento oficial sobre o documento.
A tensão que ameaçou o cessar-fogo nesta semana tem antecedente direto: em 17 de abril, o Irã já havia ameaçado fechar novamente o Estreito caso Washington se recusasse a retirar seu bloqueio naval. Na mesma data, Teerã havia anunciado a reabertura total de Ormuz como gesto de aproximação — mas a tensão voltou horas depois, com Trump recusando retirar tropas antes do fim das negociações.
A Casa Branca avalia este como o momento em que os dois países estão mais próximos de um acordo desde o início do conflito. Nada, porém, foi formalmente assinado.
