O dólar voltou a superar a barreira de R$ 5 nesta sexta-feira (24), abrindo com alta de 0,17% e sendo negociado a R$ 5,0109 por volta das 9h01. A tensão geopolítica no Oriente Médio segue como principal motor das oscilações cambiais.
O impasse EUA-Irã mantém a perspectiva de petróleo em patamares elevados por tempo indeterminado, alimentando a cautela dos investidores ao redor do mundo.
No Brasil, o Banco Central registrou déficit em conta corrente de US$ 6 bilhões em março. O governo Lula enviou ao Congresso projeto para transformar ganhos extraordinários do petróleo em corte de impostos sobre combustíveis.
Trump endurece o tom com Teerã
Na quinta-feira (23), Donald Trump declarou que um eventual acordo com o Irã só será fechado quando os termos forem “apropriados e benéficos” para os Estados Unidos. Em publicação no Truth Social, rebateu reportagens que apontavam pressa americana por um desfecho rápido: “Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não — o relógio está correndo”, escreveu.
O presidente também anunciou a extensão do cessar-fogo entre Israel e o Líbano por mais três semanas — mas a medida não foi suficiente para aliviar as tensões no canal estratégico, passagem por onde escoa grande parte do petróleo mundial.
Trump afirmou ter ordenado que a Marinha dos EUA “atire e mate” qualquer embarcação flagrada tentando instalar minas no estreito. Navios militares especializados já atuam na remoção dos explosivos, mas o Pentágono avalia que a limpeza completa do canal pode levar até seis meses, segundo o jornal The Washington Post.
Ormuz: gesto de abertura e novo bloqueio
O Estreito de Ormuz permanece no epicentro do conflito. Na semana passada, o Irã havia reaberto a passagem como gesto ligado ao cessar-fogo. O canal foi fechado novamente depois que os EUA recusaram o pedido iraniano de suspender o bloqueio naval na entrada da rota. Foi em 13 de abril, após o fracasso das negociações no Paquistão, que os EUA decretaram o bloqueio naval aos portos iranianos — o mesmo canal onde Trump agora ordenou à Marinha que abra fogo contra embarcações tentando instalar minas.
Bolsas globais fecham no vermelho com tecnologia e geopolítica
As bolsas internacionais encerraram a sessão de quinta-feira sem direção uniforme. Em Wall Street, a combinação de cautela geopolítica e resultados mistos no setor de tecnologia pesou sobre os índices: o Dow Jones caiu 0,32%, o S&P 500 recuou 0,57% e o Nasdaq cedeu 0,87%.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 fechou em leve alta de 0,12%. Entre as principais praças, Londres (FTSE 100) e Frankfurt (DAX) recuaram 0,19% e 0,16%, respectivamente. O destaque positivo ficou com Paris: o CAC 40 avançou 0,87%.
Na Ásia, o tom foi predominantemente negativo. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,95%; o Nikkei, em Tóquio, recuou 0,75%; e os índices chineses SSEC e CSI300 cederam 0,32% e 0,28%, nessa ordem. A exceção ficou com Seul: o Kospi avançou 0,90%.
No Brasil, o Ibovespa abre às 10h. Na quarta-feira (22), o dólar havia caído abaixo de R$ 5 com o anúncio de Trump de prorrogar o cessar-fogo com o Irã — mas a ausência de proposta formal de Teerã já sinalizava que a cautela voltaria a dominar o mercado. A agenda americana inclui ainda o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, termômetro do humor das famílias americanas.
