A operação da Polícia Federal que colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA) na mira do escândalo do Banco Master repercutiu na imprensa internacional nesta quinta-feira (18). Al Jazeera, Reuters, Bloomberg e Clarín convergiram no mesmo diagnóstico: a investigação do aliado histórico de Lula aproxima o caso Master do Palácio do Planalto.
Endereços ligados ao senador foram alvos de busca. A PF apreendeu cerca de US$ 55 mil e 33,5 mil euros — valores que Wagner confirmou serem seus, mas negou qualquer irregularidade. O senador não foi indiciado.
O que a PF investiga sobre Wagner
A Polícia Federal classifica Wagner como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”. O órgão apura se o senador recebeu pagamentos em troca de apoio a medidas no Congresso que favoreceriam o Banco Master — a chamada “Emenda Master”. Também estão no escopo uma suposta compra de apartamento de luxo em Salvador e um pagamento de R$ 3,5 milhões.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero cumpriu 18 mandados no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia — o episódio que levou o nome de Jaques Wagner às redações internacionais. Dólares em espécie apreendidos em um imóvel de Wagner no Distrito Federal foram um dos elementos concretos que ilustraram as reportagens.
O que disse a imprensa internacional
A Reuters foi direta: o escândalo “chegou perto do presidente do Brasil nesta quinta-feira”, com os indícios sobre Wagner trazendo “o escândalo do Banco Master para o círculo íntimo do presidente pela primeira vez”.
O argentino Clarín destacou o peso eleitoral do episódio: “A inclusão do importante senador na investigação aproxima este escândalo do governo do presidente Lula, que busca a reeleição para um quarto mandato não consecutivo em outubro.”
A Al Jazeera afirmou que o caso “atingiu ambos os lados do espectro político brasileiro — e pode até mesmo influenciar a próxima corrida presidencial, em outubro”. A rede lembrou que o The Intercept Brasil divulgou áudios nos quais o pré-candidato Flávio Bolsonaro pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro — revelação que, segundo o Clarín, derrubou o senador nas pesquisas para o segundo turno.
A Bloomberg revelou um movimento coordenado da campanha petista após as notícias: aliados e membros do gabinete foram instruídos a defenderem publicamente o senador. A própria agência registrou que a campanha admitiu que “seus esforços para atribuir a culpa pelo escândalo do Banco Master a Bolsonaro e seus aliados haviam se tornado mais difíceis”.
Wagner negou as acusações e recebeu solidariedade pública de Lula ainda na quinta-feira — exatamente o movimento de defesa coordenada que a Bloomberg identificou como sinal de que o impacto eleitoral do escândalo preocupa o campo petista.
A Reuters lembrou que os laços entre Wagner e Lula “remontam a décadas, incluindo cargos no gabinete presidencial”. Como governador da Bahia, o senador transformou o estado nordestino em “um reduto de apoio ao governista Partido dos Trabalhadores”.
O escândalo do Banco Master começou com a liquidação por insolvência do banco em novembro, deixando uma dívida superior a US$ 7 bilhões junto a cerca de 800 mil investidores. A crise foi se transformando em uma investigação que apontou ligações entre Vorcaro e figuras políticas de todo o espectro — e que, segundo a Bloomberg, abala “a campanha eleitoral brasileira a quatro meses da votação”.
