Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, saiu em defesa da Polícia Federal nesta sexta-feira (19) ao comentar a operação que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA).
Em sabatina à BandNews TV, o ex-ministro da Fazenda foi direto: “Se a PF tem dúvida em relação a quem quer que seja, está no papel dela investigar.”
Haddad afirmou que o presidente Lula ordenou desde o início que as instituições apurassem o caso com independência — “doa a quem doer” — e classificou o esquema do Banco Master como “a maior fraude bancária do Brasil”.
Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira (18) com autorização do ministro André Mendonça, do STF. A investigação apura um suposto esquema bilionário de corrupção e lavagem de dinheiro vinculado ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde a primeira fase, em novembro de 2025.
O que a PF atribui a Wagner
A Polícia Federal aponta que o senador teria recebido uma série de vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso. Entre as suspeitas estão a compra de um apartamento de luxo em Salvador com recursos ligados ao Master, ingressos para shows de Taylor Swift avaliados em R$ 63 mil, R$ 3,5 milhões repassados via empresa vinculada à família do parlamentar e o uso de aeronave particular para viagem a uma ilha no litoral baiano.
A PF também apreendeu US$ 49 mil em espécie em um endereço em Brasília ligado ao senador. Wagner afirma que o dinheiro tem origem em diárias do Senado para viagens internacionais e nega qualquer relação com Daniel Vorcaro. As vantagens investigadas — apartamento e repasses milionários — são o pano de fundo concreto sobre o qual Haddad se posicionou nesta sexta (leia mais sobre as vantagens atribuídas a Wagner).
O peso político do episódio vai além da investigação em si: Wagner ocupa a liderança do governo no Senado, e ser alvo da PF nessa posição é justamente o que torna a declaração de Haddad tão delicada para o PT (saiba mais sobre o impacto político da operação).
Ao se posicionar, Haddad adotou um discurso de dupla via: validou a investigação e o papel da PF, mas ressaltou que ser investigado não equivale a condenação. “No final do processo, quem errou tem que ser punido; quem se explicou é absolvido”, afirmou. O petista ainda lembrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) também é mencionado na investigação, ampliando o escopo político do caso para além do PT.
Compliance Zero e seus alvos
A operação chegou à 9ª fase com um leque de investigados que vai além do campo petista. Em fases anteriores, foram atingidos o senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de receber pagamentos do grupo Master, e o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), por supostos investimentos de recursos do Rioprevidência em fundos ligados ao banco. Todos negam irregularidades.
A declaração de Haddad vem um dia depois de Reuters, Bloomberg e Al Jazeera convergirem no mesmo diagnóstico: o escândalo do Banco Master chegou ao círculo íntimo do presidente Lula (leia a repercussão internacional do caso). Para o PT, defender a independência das instituições sem condenar Wagner publicamente é um equilíbrio cada vez mais difícil de sustentar com a campanha eleitoral se aproximando.
