A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (9) mandados de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, apontado como principal articulador de um esquema de desinformação montado para atacar o Banco Central e proteger o Banco Master.
A ação integra a 10ª fase da Operação Compliance Zero. Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do inquérito sobre o Caso Master, e cumpridos em Brasília.
Miranda é dono da Miranda Comunicação — também conhecida como Agência MiThi — e se apresenta nas redes como fundador e sócio do portal Léo Dias.
Segundo as investigações, Miranda teria coordenado uma campanha nas redes sociais para descredibilizar o Banco Central durante o processo que culminou na liquidação do Banco Master — instituição controlada por Daniel Vorcaro, com quem o publicitário é descrito como diretamente ligado.
Em janeiro, o g1 revelou o esquema. Um criador de conteúdo digital de São Paulo afirmou, sob anonimato, ter recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem com críticas ao BC, publicada em dezembro. O pagamento, segundo ele, foi feito pela empresa de Miranda.
O mesmo influencer disse ter recusado uma proposta de contrato de três meses, que previa a produção de oito vídeos mensais. Ao término do período, o criador receberia R$ 188 mil, já descontadas as comissões da agência.
Informações sigilosas como instrumento de coerção
Além da campanha digital, a PF apura se o grupo utilizava informações obtidas ilicitamente para coagir quem resistia ao esquema. Isso incluiria dados financeiros, cadastrais e de familiares de jornalistas e concorrentes — obtidos por meio de quebra de sigilo e devassas.
Na fase imediatamente anterior da Compliance Zero, deflagrada em junho, a PF já havia mirado o senador Jaques Wagner por suposta atuação parlamentar em favor do Master — a mesma operação que agora aponta Miranda como principal articulador do braço de desinformação do esquema. Veja o que foi apurado naquela fase.
Em depoimento à PF em março, Miranda negou ter contratado influencers para atacar autoridades ou órgãos de Estado. Segundo ele, o trabalho tinha como objetivo a “reconstrução reputacional da imagem” do dono do Banco Master.
A perícia nos celulares de Vorcaro já havia revelado o uso de operativos para acessar informações sigilosas e intimidar adversários — exatamente o padrão de atuação que a PF agora atribui ao esquema coordenado por Miranda. Saiba mais sobre as investigações em torno de Vorcaro.
Crimes investigados e alcance das buscas
O ministro André Mendonça autorizou a apreensão de documentos físicos e eletrônicos, dispositivos de armazenamento de dados, bens de alto valor e dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil.
A PF também investiga possíveis tentativas de interferência em investigações criminais. Os fatos apurados podem configurar, em tese, uma série de crimes — cuja lista não foi integralmente divulgada até o momento da publicação.
